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sábado, 16 de maio de 2015

Cinquenta e Quatro (54) Exercícios sobre Medidas de Associação / Desenhos de Estudo

Bom estudo!!!

(1) Um pesquisador está estudando 200 crianças, das quais 100 foram à creche e 100 não. Das que foram à creche, 90 ficaram resfriadas. Das que não foram, 75 ficaram resfriadas. Qual a odds de ter um resfriado para aqueles na creche, em comparação  à odds daqueles que não estão na creche?
a) (90 * 25) / (10 * 75)
b) 90 / 165
c) 25 / 35
d) (90 / 100) - (75 / 100)
e) (90 / 100) / (75 / 100)
A resposta é a letra a. A odds de ter resfriado entre os que foram à creche à 90/10; já entre àqueles que não foram à creche à igual a 75/25. Ou seja, 9/3 = 3. A chance de ter resfriado entre os que foram à creche é o triplo daquelas que não foram.

(2) Um pesquisador está tentando determinar os fatores de risco para a bulimia. A amostra selecionada foi de 50.000 adolescentes, acompanhados ao longo de 5 anos para ver quais desenvolveriam a doença. Qual tipo de estudo é esse?
a) Estudo de coorte
b) Estudo de caso-controle
c) Ensaio clínico
d) Estudo de caso
e) Meta-análise
A resposta é a letra a. O enunciado explicita o acompanhamento e a observação do desenvolvimento da doença ao longo do tempo.

(3) Um grupo de pessoas saudáveis é acompanhado por um período de vários anos para observação acerca do desenvolvimento de uma doença. O estudo é observacional e prospectivo. Os resultados são descritos em termos de risco relativo. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Meta-análise
c) Coorte
d) Estudo de caso
e) transversal
Estudo de coorte, letra c. É o único estudo observacional capaz de permitir o estudo do desenvolvimento de uma doença de uma população saudável exposta a um fator de risco/exposição.

(4) A pesquisa de qualidade é fundamental para os profissionais da saúde, porque fornece um alicerce forte para a avaliação crítica da atividade prática em relação aos achados de pesquisa e para a promoção de avanços embasados em evidências. Em relação aos tipos de estudos metodológicos da pesquisa em saúde e enfermagem, assinale a opção correta.
a) No estudo caso-controle ​ou estudo de grupos, de agregados, estatísticos ou comunitários​, a pesquisa é realizada por meio de estatísticas, sendo a unidade de observação e análise constituída de grupos de indivíduos, e não, de indivíduos isolados.
b) No estudo ecológico, parte-se do efeito, em busca das causas, comparando- se, em relação à exposição prévia, grupos de indivíduos com e sem determinado agravo à saúde, de modo que possa ser testada a hipótese de a exposição a determinados fatores de risco ser causa contribuinte da doença. 
c) No estudo transversal, parte-se da causa, em busca dos efeitos, identificando-se um grupo de pessoas e coletando-se a informação pertinente sobre a exposição de interesse, de modo que o grupo possa ser acompanhado; em seguida, verificam-se os indivíduos que desenvolveram e os que não desenvolveram a doença em foco e a relação dessa exposição prévia com a ocorrência da doença.
d) No estudo de coorte, realiza-se a investigação para determinar a prevalência, a fim de se examinar a relação entre eventos em um determinado momento, coletando-se simultaneamente os dados sobre causa e efeito.
e) No estudo randomizado, os participantes são alocados aleatoriamente em grupos denominados grupos de estudo (experimental) e de controle, sendo os primeiros submetidos a determinada intervenção, e os segundos, não.
Resposta: A letra a se refere ao estudo ecológico; a letra b ao caso controle; a letra c, ao estudo de coorte; a letra d, ao estudo transversal; a letra e é a correta.
Fonte: CESPE / 2012 / Tribunal de Justiça / Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Enfermagem


(5) Um grupo de 500 pessoas é observado em um dado momento e mede-se a prevalência de uma doença. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Meta-análise
c) Coorte
d) Ecológico
e) Transversal
Estudo transversal, letra e. Lembre-se de que este estudo também é chamado estudo de prevalência. é o único destinado a calcular prevalência.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(6) Um pesquisador atende um paciente com uma doença muito rara e escreve um artigo sobre este paciente, especialmente sobre a sua história, aspectos físicos e curso clínico. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Ensaio clínico randomizado
c) Coorte
d) Estudo de caso
e) transversal
Estudo de caso, letra d. Trata-se de apenas um paciente, sem grupo para comparação. É um estudo de caso descritivo.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(7) Você está lendo um artigo com delineamento caso-controle no New England Journal of Medicine. O que pode ser determinado com base nesse tipo de estudo?
a) Incidência da doença em estudo
b) Risco atribuível
c) Odds ratios associadas a várias exposições de interesse
d) Prevalência da doença
e) Risco relativo
letra c. nem incidência nem prevalência servem; risco tem relação com incidência portanto não serve também.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(8) Assinale a opção correta com relação ao inquérito realizado por equipe de saúde da família para conhecer, na localidade em que atua, casos de hipertensão.
a) Obtêm-se resultados que possibilitam testar hipóteses de associação entre causa e efeito. 
b) É possível estimar a prevalência do agravo de interesse, avaliando-se os indivíduos que participam do estudo em um único momento. 
c) Os indivíduos são avaliados inicialmente e acompanhados permanentemente, para que se obtenham medidas de incidência do agravo. 
d) Os indivíduos são avaliados em um único momento, no início do estudo, para a determinação da incidência do agravo. 
e) Esse estudo possibilita a estimativa da prevalência do agravo de interesse, excluídos os indivíduos que apresentem, desde o início, a característica de interesse.
letra b. Inquéritos são estudos transversais.

(9) A determinação da diferença entre a incidência de câncer de pulmão em fumantes e a incidência desse tipo de câncer em não fumantes corresponde ao cálculo de 
a) Risco relativo.
b) Odds ratio
c) Razão de riscos
d) Risco atribuível
e) Risco populacional. 
letra d. RA=(incidência em expostos - incidência em não expostos)

(10) O risco relativo do grupo profilático em relação ao grupo que recebeu tratamento para doença osteomuscular foi igual a 5,3 (IC 95% 0,66-41,5).  Este resultado é significativo? Justifique.
Resposta: Esse resultado não é significativo, pois apesar da estimativa pontual ser igual a 5,3, a estimativa intervalar abrange o valor 1, ou seja, o intervalo passa pelo valor 1. 

(11) Em estudo transversal obteve-se uma medida de associação comparando indivíduos com esquizofrenia e indivíduos sem esquizofrenia quanto à posse de animal de estimação. Qual era essa medida de associação?
a) Odds ratio
b) Diferença de risco
c) Risco relativo
d) Incidência
e) Prevalência
Resposta: Odds ratio é a medida possível para o estudo transversal dentre as disponíveis. Prevalência não é medida de associação. Diferença de risco e risco relativo são medidas de magnitude do estudo de coorte. Incidência não é possível ser calculada no estudo transversal e nem é medida de associação. 

(12) Quais das seguintes é uma vantagem do estudo de coorte prospectivo?
a) Barato e rápido
b) Capaz de estabelecer sequência temporal
c) Adequado para desfechos raros que levam um longo tempo para se desenvolver
d) Indivíduos são menos propensos a serem perdidos ao longo do estudo
Resposta: letra b

(13) Quais das seguintes assertivas são verdadeiras se um resultado é significativo ao nível de 5%?
a) valor de p > 0,05
b) valor de p < 0,05 e o intervalo de 95% de confiança contém o valor da hipótese nula.
c) intervalo de 95% de confiança contém o valor da hipótese nula
d) intervalo de 95% de confiança não contém o valor da hipótese nula
Resposta: letra d

(14) Investigadores formularam perguntas e devem selecionar o desenho de estudo mais adequado para investigá-las. Utilize (a) para caso controle; (b) estudo ecológico; (c) estudo seccional; (d) ensaio randomizado controlado; (e) estudo de coorte:
a) Povos que consomem vinho consomem também alimentos mais saudáveis, comparativamente àqueles que compram cerveja (b)
b) Miopia diagnosticada na infância afeta a interação social na vida adulta (c)
c) A vitamina C consumida logo após a concepção previne o aborto espontâneo  (e)
d) Warfarin é melhor que aspirina na prevenção de derrames entre pessoas com fibrilação atrial (d)
e) Transtorno de humor afeta a chance de desenvolver um aneurisma cerebral (a)

(15) Quais dos seguintes critérios não é essencial na condução de uma triagem em larga escala para controle de uma doença?
a) A prevalência da doença deve ser elevada na população a ser analisada
b) Deve haver um prognóstico favorável para o tratamento precoce da doença
c) A doença deve ser de notificação compulsória
d) A doença deve ser um problema sério de saúde pública
Resposta: letra c

(16) Relacione a situação descrita com o desenho de estudo específico por meio do código apropriado, a saber: (1) coorte prospectiva; (2) ensaio clínico; (3) caso controle; (4) estudo seccional; (5) coorte retrospectiva. Em termos de tempo, o momento A precede o momento B e o momento B precede o momento C.
(5) - Seleciona no tempo C o grupo de estudo exposto no tempo A.
(3) - Seleciona o grupo de estudo no tempo B com base no status da doença e pergunta ao participante sua exposição no tempo A.
(1) - No tempo A seleciona o grupo de estudo de acordo com o status da exposição e acompanha o grupo até o tempo C
(2) - Designa a exposição no tempo A e acompanha o participante até o tempo C
(4) - Mede a exposição e a doença simultaneamente no tempo C

(17) Em um estudo de coorte retrospectivo sobre o consumo de café e doença coronariana, 5 xícaras ou mais estiveram associadas a um risco relativo igual a 1,5 (IC95%=1,2 ; 1,8). Quando os dados foram estratificados segundo hábito tabágico, os seguintes resultados foram obtidos:
Para Fumantes: RR=1,1 (IC95%=0,8; 1,6)
Para Não Fumantes RR=0,8 (IC95%=0,6; 1,2)
Estes resultados, muito provavelmente, são um exemplo de:
a) Confusão
b) Erro aleatório
c) Erro de memória, pois os tabagistas se lembram mais do consumo de café do que os não tabagistas
d) Viés de classificação da doença coronariana
e) Viés de seleção com relação ao consumo de café
Resposta: letra a

(18) Quais das seguintes é uma vantagem referente ao delineamento de caso-controle?
a) O viés quanto à avaliação da exposição ao fator de interesse é minimizada.
b) Múltiplas doenças podem ser facilmente estudadas.
c) A dependência na memória dos sujeitos é minimizada.
d) É possível determinar a real incidência da doença
e) Pode ser utilizado para estudar a etiologia de uma doença rara
Resposta: letra e

(19) Com base em um ensaio clínico um grupo de pesquisadores chegou ao seguinte resultado: ao comparar uma nova droga com o placebo, a nova droga obteve uma porcentagem de sucesso mais elevada do que o placebo. O valor do Qui-Quadrado de Pearson foi igual a 4,72 (p<0,05). Conclui-se:
a) Menos do que 1 em 20 pacientes vão se beneficiar da nova droga
b) A chance que um indivíduo não seja beneficiado pela nova droga é menor do que 0,05
c) Se a droga for efetiva, a probabilidade de obter o resultado encontrado é menor do que 1 em 20.
d) Se a droga não for efetiva, a probabilidade de obter o resultado encontrado é menor do que 0,05.
Resposta: letra d

(20) Para ser causalmente associada com a doença, o fator etiológico deve cumprir os seguintes critérios (indicar todas que se aplicam) 
a) O fator está presente em todos os indivíduos com a doença. 
b) A eliminação do fator reduz o risco da doença. 
c) A exposição a este fator deve preceder o desenvolvimento da doença. 
d) O fator é mais prevalente entre aqueles com a doença do que entre aqueles sem a doença. 
A) Apenas (a) e (b) estão corretas
B) Apenas (a) e (c) estão corretas
C) Apenas (a), (b) e (c) estão corretas
D) todas estão corretas
E) Apenas (b), (c) e (d) estão corretas
Resposta: Esta questão se refere ao método epidemiológico. Como epidemiologia não é matemática e nem é exata, (a) está incorreta, pois o fator pode estar ausente em indivíduos com a doença. Letra (E) é a resposta

(21) No início do seguimento de uma coorte a exposição é determinada com a ajuda de um questionário. Não há perda de seguimento. No final do acompanhamento a incidência de uma doença de interesse é conhecida para expostos e não expostos. O odds ratio é usado como medida de associação. Qual comentário é mais adequado? 
A) Os investigadores poderiam ter calculado a incidência entre os expostos 
B) O OR não tem interpretação útil. 
C) Os investigadores deveriam ter calculado a taxa de incidência entre os não expostos. 
D) Nesses casos, o OR se aproxima da taxa de incidência. 
E. A melhor medida seria o RR, pois se aproxima mais do diferencial de riscos.
Resposta: Letra (E) é a resposta. Essa questão é excelente pois mostra que a medida do risco é conceitualmente melhor do que a medida do Odds e deve ser usada sempre que possível.

(22) O risco relativo não pode ser calculado diretamente em estudos tipo caso-controle, porque os casos e os controles são selecionados previamente pelo investigador. Isso torna a frequência da doença na amostra estudada diferente da frequência real na população.
A) Falso
B) Verdadeiro
Adaptado de:Caso-controle na pesquisa médica

(23) Qual é a fração de casos com a doença entre os expostos que é atribuível à exposição, se o número de expostos é 16; o de não expostos é 22; nove expostos tiveram a doença e a incidência da doença é igual a 35%?
A) 0,56 
B) 0,68 
C) 0,18 
D) 0,34 
E) 0,35  
Resposta: Incidência entre expostos = 9/16=0,56; Total da amostra = 16+22 = 38; Pessoas doentes na amostra = 38 (0,35)=13; Incidência entre não expostos = (13-9)/22 = 0,18; RA% = (0,56 - 0,18)/0,56 = 0,68. 68% da incidência entre expostos é decorrente da exposição.

(24) Em um estudo de coorte, o risco relativo para a DPOC para os fumantes moderados versus não-fumantes foi de 4. Para os fumantes pesados em comparação aos não-fumantes, o risco relativo foi de 10. Qual teria sido o risco relativo para a DPOC neste estudo, se os fumantes pesados tivessem sido usados como a categoria de referência? 
A) 0,1 para não-fumantes e 0,4 para o tabagismo moderado 
B) 0,2 para não-fumantes e 0,6 para o tabagismo moderado 
C) 4 para não-fumadores e 10 para o tabagismo pesado 
D) não pode ser calculado com os dados disponíveis 
Resposta: Incidência entre fumantes moderados em relação à incidência entre não fumantes = 4/1; Incidência entre fumantes pesados em relação à incidência entre não fumantes = 10/1; Incidência entre não fumantes em relação à incidência entre fumantes pesados = 1/10 = 0,1; se a relação de valores anterior era 1:4:10, a relação agora é 0,1:x:1. Logo x=0,4. Resposta é a letra A.

(25) O que é uma desvantagem de um estudo de coorte em comparação a um ensaio clínico? 
A) A validade externa é menor 
B) É mais propenso a confusão 
C) É menos apropriado para o estudo da evolução clínica 
D) Os participantes podem sair do estudo durante o seguimento

(27) O Estudo de Framingham, no qual um grupo de moradores foram seguidos desde a década de 1950 para identificar a ocorrência e fatores de risco para doenças do coração, é um exemplo de que tipo de estudo? 
A. coorte experimental
B. caso-controle observacional
C. coorte observacional 
D. ensaio clínico randomizado 
E. observacional e transversal 

(28) Pesquisadores, prospectivamente, seguiram um grupo de 100 vegetarianos e 200 não-vegetarianos. Após 30 anos, 8 vegetarianos e 20 não-vegetarianos desenvolveram doenças cardíacas. O intervalo de 95% de confiança variou de 0,6 a 0,9 e se refere à comparação entre vegetarianos e não-vegetarianos. Qual a interpretação?
A. Os vegetarianos eram 80% menos propensos a desenvolver doenças cardíacas durante 30 anos de seguimento em comparação com os não-vegetarianos. 
B. Os pesquisadores deveriam ter calculado o odds ratio, em vez de um risco relativo. 
C. O risco relativo obtido não é estatisticamente significativo, pois o intervalo de confiança de 95% contém o valor 0,8. 
D. Pode-se afirmar que os vegetarianos eram 20% menos propensos a desenvolver doenças cardíacas durante 30 anos de seguimento em comparação com os não-vegetarianos. 
Resposta: O intervalo de confiança revela que a estimativa intervalar situa-se entre 0,6 e 0,9, indicando que a propensão dos vegetarianos era entre 10% e 40% menor. O intervalo não passa pela hipótese nula, revelando significância estatística ao nível de 0,05. A estimativa pontual indica que risco 20% menor. Letra D

(29) Em um estudo de base hospitalar da associação entre o consumo de café e a ocorrência de acidente vascular cerebral, um grupo de pacientes hospitalizados depois de sofrer um acidente vascular cerebral foi comparado a uma população controle hospitalizada por outros motivos. Os pacientes internados por acidente vascular cerebral reportaram consumir muito mais café do que os controles. Todas as seguintes afirmações representam possíveis explicações para a associação positiva observada entre o consumo de café e derrame, EXCETO: 
A. Consumidores de grandes quantidades de café também podem ser fumantes pesados, e o fumo possivelmente seria o fator causal relevante 
B. Os pacientes restringiram a sua ingestão de café, depois de sofrer um acidente vascular cerebral. 
C. O fato dos controles hospitalizados consumirem menos café, em média, do que os indivíduos da população em geral, resultaria em uma associação espúria entre o consumo de café e acidente vascular cerebral. 
D. O consumo excessivo de café pode causar um acidente vascular cerebral.
   
(30) Um epidemiologista quer avaliar o efeito de consumo de chá sobre a pressão arterial. Ele decide fazer um estudo de intervenção. Qual das seguintes medidas não aumenta a validade interna do estudo? 
A. A monitorização cuidadosa da pressão arterial durante o estudo 
B. A inclusão de um grupo controle 
C. A randomização 
D. A seleção aleatória de participantes da população geral
Resposta: A seleção aleatória aumenta a validade externa e a capacidade de generalização. Letra D.

(31) Atualmente, os estudos epidemiológicos têm contribuído na área da medicina do trabalho, quando aplicado com rigor científico seu conteúdo metodológico, para estabelecer as prioridades de gestão em saúde ocupacional. Vários tipos de estudos podem ser realizados. Os estudos
a) observacionais são aqueles que têm por base a observação da magnitude da ocorrência de determinados eventos com interferência direta sobre o objeto de estudo.
b) observacionais podem ser categorizados como descritivos e analíticos. Os analíticos também se subdividem em estudos ecológicos e experimentais.

c) descritivos são subdivididos em estudos seccionais e tipo caso-controle.
d) tipo coorte constituem uma subdivisão dos estudos descritivos. Neles, acompanha-se um grupo de indivíduos sadios, expostos e não expostos a um fator em estudo, e observa-se quem irá ou não desenvolver um determinado evento.
e) ecológicos, também chamados correlacionais, têm por alvo uma população
determinada na qual se procura identificar e quantificar a existência de um evento específico. Fazem parte da subdivisão dos estudos analíticos que é uma categoria dos estudos observacionais.
Resposta: Letra e. É a única CORRETA.
Fonte: FCC / 2012 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Medicina do Trabalho 

(32) Em uma linha de produção, 100 pessoas, das quais 30 tinham rinite alérgica, trabalhavam em um ambiente onde existia poeira. Outras 200 pessoas, das quais 20 tinham rinite alérgica, trabalhavam em um ambiente sem esse agente de risco. Logo, o Risco Relativo de ter rinite alérgica no ambiente com poeira é
A) 3
B) 2,5
C) 2
D) 1,5
E) 1
Resposta: Letra a. (30/100)/(20/200) = 3/1 = 3
Fonte: / 2012 / Caixa Econômica Federal / Médico do Trabalho /

(33) Considerando o tabagismo e o câncer de pulmão, tem-se evidências científicas dos seguintes critérios de causalidade: consistência da associação, temporalidade, efeito dose-resposta e plausibilidade biológica.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Letra C
Fonte: CESPE / 2010 / Instituto Nacional do Seguro Social / Perito Médico - Previdenciário

(34) Um estudo clínico que acompanha, por um determinado tempo, um grupo de pessoas que fumam, para observar se elas irão desenvolver câncer de pulmão, é denominado de:
A) transversal.
B) randomizado.
C) coorte.
D) expectante.
E) experimental.
Fonte: FUNCAB / 2012 / Prefeitura de armação de Buzios / Enfermeiro

(35) Considere-se que para se verificar os efeitos da papaína na cicatrização de úlceras de decúbito, um grupo de 100 pacientes foi separado aleatoriamente, em duas metades, de modo a constituir dois grupos com características semelhantes. Considere-se também que os pacientes pertencentes a um grupo foram tratados com um preparado de papaína e os do outro grupo receberam um preparado de placebo e que, após um período, constatou-se que aqueles que receberam a papaína obtiveram melhores resultados. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo ensaio clínico randomizado.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(36) Considere-se que, com o objetivo de elaborar um perfil de características demográficas e socioeconômicas de pacientes que sofreram lesões medulares em uma cidade do interior de Goiás, foram entrevistados cerca de 80 pacientes internados em uma unidade de reabilitação, vítimas de acidentes de trânsito nos últimos 6 meses, e que os resultados foram apresentados na forma de gráficos e tabelas. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo coorte.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Aparentemente, sem maiores informações sobre o estudo, trata-se de uma série de casos. Não há grupo para comparação e nem acompanhamento dos pacientes. Letra E
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(37) Considere-se que em uma pesquisa foram formados dois grupos: um deles composto por pessoas que tiveram câncer de pele e o outro, por pessoas que não tiveram essa doença. Considere-se também que os doentes — aqueles com câncer de pele — foram investigados para saber se foram expostos a fatores de risco — como exposição excessiva, na juventude, à luz solar —, de modo a relacionar se tais fatores de risco são causas contribuintes da doença. Nesse caso, observa-se o delineamento de uma investigação do tipo caso-controle.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(38) A investigação do tipo coorte é a mais adequada para o estudo etiológico de doenças raras.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Para o estudo de doenças raras o estudo mais adequado é o estudo de caso-controle. Letra E
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(39) Para a avaliação do benefício terapêutico de um determinado cuidado, podem-se utilizar medidas relativas (divisão entre os riscos do grupo experimental e do grupo-controle) ou absolutas (baseadas nas diferenças entre os riscos do grupo experimental e do grupo-controle).
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE /2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(40) Uma das vantagens nos estudos de coorte é que a cronologia dos acontecimentos é facilmente determinada, pois primeiro ocorre a exposição para depois ocorrer o desfecho clínico.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(41) A eficácia de determinado tratamento é a evidência de que ele realmente funciona (traz mais benefícios que riscos) em determinadas condições experimentais, podendo ser observada com maior freqüência nos trabalhos do tipo ensaio clínico randomizado.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(42) Considere-se que uma equipe da área de enfermagem tenha realizado uma pesquisa junto aos empregados de uma empresa com o objetivo de verificar a associação entre o fumo e o câncer. Considere-se, ainda, que empregados da empresa tenham preeenchido um questionário acerca de seus hábitos de vida, no qual se perguntava se eram ou não fumantes, formando-se, então, dois grupos: um de indivíduos fumantes e outro de não-fumantes. Decorridos 10 anos, a equipe observou que o fumo estava diretamente relacionado ao desenvolvimento de câncer. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo coorte.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(43) Em estudos do tipo caso-controle, somente no momento da análise dos dados é possível identificar os grupos de interesse, por exemplo, os indivíduos expostos e os não-expostos a algum fator de risco.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(44) Considere-se um estudo em que tenha se avaliado a incidência de infecção por dengue em um grupo de habitantes de uma área rural. Nesse caso, foi empregado o estudo do tipo analítico.
C) Certo 
E) Errado
Resposta; A princípio errado porque não foi especificado grupo de comparação 
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(45) Considere-se que, em um estudo do tipo ensaio clínico randomizado, tenha se obtido risco relativo igual a um. Nesse caso, é correto afirmar que os dois grupos estudados apresentaram incidência de casos totalmente diferentes.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(46) Pesquisas que se utilizam de grupos de indivíduos como unidades de observação são denominadas estudos ecológicos.
C) Certo 
E) Errado 

(47) Os desenhos de estudos epidemiológicos podem ser agrupados em três categorias:
A)Transversal, Seccional e Longitudinal
B)Experimental, Quasi-experimental e Observacional
C)Ensaio clínico, Caso-controle e Ecológico
D) Experimental, Seccional e Observacional
Resposta: Há várias formas de classificar estudos epidemiológicos. Mas, a letra B exaure as possibilidades existentes e tem uma forma de classificação que segue a lógica de intervenção/não intervenção do pesquisador.
Fonte: http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/13070/11003/Exercicios_de_revisao2.ppt

(48) Assinale as características de um estudo de coorte:
A) Estudo observacional.Uma amostra da população forma o grupo controle.
B)Estudo experimental. Feito no momento. Não é bom para investigações para se conhecer a causa.
C) Estudo observacional. Conjunto de indivíduos sem a doença. São acompanhados para se comparar a ocorrência da doença em cada grupo.
D)Estudo experimental. Conjunto de indivíduos sem a doença. São acompanhados para se comparar a ocorrência da doença em cada grupo.

(49) O estudo abaixo pode ser classificado como:

Referência: Prevalência do complexo teníase-cisticercose na zona rural do município de Viçosa, Minas Gerais. Adriana Felix Iasbik, Paulo Sérgio de Arruda Pinto, Paula Dias Bevilacqua, Luis Augusto Nero, Tatiane de Oliveira Santos, Adriano Groppo Felippe; Ciência Rural, Santa Maria, v.40, n.7, p.1664-1667, jul, 2010

"(...) Para  determinar a prevalência de cisticercose em suínos e de teníase em 176 propriedades localizadas na zona rural de Viçosa, Minas Gerais (MG), foram coletadas amostras de sangue de 226 suínos e fezes de 266 humanos, além da realização de um inquérito epidemiológico. Não foi identificada teníase humana, e a prevalência da cisticercose suína foi de 0,4%. As informações obtidas mostraram que a maioria das pessoas possuía o hábito de consumir carne suína não inspecionada; entretanto, todas as pessoas se alimentavam da carne bem aquecida. Em apenas 1,1% das propriedades, o esgoto era depositado diretamente no solo e em 99,4% destas a água era canalizada, enquanto 88,1% dos suínos eram criados presos. Concluiu-se que, na zona rural do município de Viçosa-MG, a prevalência do complexo teníase-cisticercose foi baixa, mostrando ainda um nível de contaminação inferior ao de outros municípios onde o complexo foi estudado"
A) Seccional
B) Caso-controle
C) Coorte
D) Ensaio clínico
E) Ecológico
Baseado em: http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/13070/11003/Exercicios_de_revisao2.ppt

(50) Dados de um grande estudo sobre câncer na bexiga e tabagismo em Boston indicam que as taxas de câncer na bexiga em fumantes e não fumantes são, respectivamente, 48,0 casos por 100.000 homens e 25,4 casos por 100.000 homens.

(i) O risco relativo de desenvolver câncer na bexiga para homens fumantes comparado com homens não fumantes é
A) 48,0
B) 48,0 – 25,4 = 22,6
C) 48,0 / 25,4 = 1,89
D) (48,4 – 25,4) / 48,0
E) Não é possível calcular com os dados fornecidos
Resposta: O risco dos fumantes é 89% maior do que o dos não fumantes. Letra C. 
Fonte: A Study Guide to Epidemiology and Biostatistics Morton; Hebel; McCater Jones & Bartlett Learning, 2005 - 208 páginas

(ii) O risco atribuível de câncer na bexiga devido ao tabagismo em homens fumantes é
A) 48,0 / 25,4 = 1,89
B) 48,0 – 25,4 = 22,6 por 100.000
C) 48,0
D) 48,0 / 100.000 = 0,00048
E) Não é possível calcular com os dados fornecidos
Resposta: O risco dos fumantes é igual a um risco de base entre não fumantes igual a 25,4 adicionalmente a um risco de 22,6. O risco atribuível (adicional) é igual a 22,6 óbitos por 100.000 homens. Letra B.
Fonte: A Study Guide to Epidemiology and Biostatistics Morton; Hebel; McCater Jones & Bartlett Learning, 2005 - 208 páginas


(51) Um estudo calculou o percentual de pessoas com auto-avaliação de saúde considerada positiva e o utilizou como indicador de saúde referida, a fim de este indicador pudesse ser comparado com o de outras populações. Que tipo/delineamento de estudo é este?
Resposta: Estudo ecológico.

(52) Um pesquisador está estudando se o consumo the leite não pasteurizado é uma fonte significativa de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses. Seus achados demonstram que a fração atribuível populacional (FAP) é de 0,15 no Canadá. Como este valor é interpretado?
A) 15% dos canadenses que consomem leite não pasteurizado tinham E.coli O157:H7
B) O risco de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses que consomem leite não pasteurizado é 0,15 vezes o risco de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses que não consomem leite não pasteurizado
C) 15% das infecções por E.coli O157:H7 no Canada são decorrentes do consumo de leite não pasteurizado
D) Para cada 100 canadenses que consomem leite não pasteurizado, 15 são infectados com E.coli O157:H7 devido ao consumo de leite não pasteurizado
E) Nenhuma das alternativas acima
Fonte: University of Guelph Department of Population Medicine /Midterm #2 Examination /POPM*3240/ November 1st, 2013

(53) Para exposição X e defescho Y, é determinado que o Risco Relativo é de 0,89 (IC 95% 0,78-1,03). Isto indica que a exposiçao e o defescho são associados ________ e que esta associação  __________
A) positivamente, tem significância estatística
B) positivamente, não tem significância estatística
C) negativamente, tem siginificância estatística
D) negativamente, não tem significância estatística
E) nenhuma das alternativas acima
Fonte: University of Guelph Department of Population Medicine /Midterm #2 Examination /POPM*3240/ November 1st, 2013

(54) Em um estudo epidemiológico transversal, o número de casos de uma doença existente em determinada população indica a medida de incidência dessa doença.
C) Certo 
E) Errado
Comentário: Estudo transversal não mede incidência.
Fonte: CESPE / 2015 / FUB / Médico - Àrea Trabalho /

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Exemplo de estudo transversal

Exemplo:


Este exemplo é retirado e adaptado do seguinte sítio da internet:http://stat2.med.up.pt/cursop/print_script.php3?capitulo=desenhos_estudo&numero=6&titulo=Desenhos%20de%20estudo

Um investigador fez um estudo transversal para conhecer qual a prevalência de infecção por Clamídia na população. Além disso, o pesquisador desejava saber qual a relação da prevalência com o uso de anticoncepcionais orais

Para isso, o investigador definiu a população em estudo, ou seja, a população-alvo, neste caso, as mulheres atendidas num determinado Serviço de Ginecologia de um Hospital Central. Em seguida, selecionou uma amostra de 200 mulheres

Em seguida, o pesquisador escolheu as características que queria estudar através do registo da história de uso de anticoncepcionais orais no último ano. Realizou, também, swab vaginal para posterior exame microbiológico. 

O pesquisador demorou cerca de 6 meses para examinar todas as mulheres pertencentes à amostra. 

Os resultados obtidos foram: 

  • 100 mulheres apresentavam história de uso de anticoncepcionais orais no último ano, tendo 20 delas exames de cultura para Clamídia positivo; ou seja, das expostas ao uso de anticoncepcional, 20% apresentaram teste positivo (prevalência de 20%)
  • 100 mulheres não tinham história de uso de anticoncepcionais orais, apresentando 10 delas exames de cultura positivos; ou seja, das não expostas ao uso de anticoncepcional, 10% apresentaram teste positivo (prevalência de 10%)
  • 200 mulheres das quais 30 apresentaram teste positivo (prevalência de 15%)


Assim, a prevalência de infecção por Clamídia nessa amostra foi de 15%.

Há forte evidência de associação entre o uso de anticoncepcionais orais e a presença de infecção por Clamídia, com uma razão de prevalência (RP) de 0,20/0,10=2,0. Ou seja, a prevalência entre as expostas é o dobro das não expostas.


Neste exemplo encontra-se uma importante medida de frequência que é, caracteristicamente, encontrada em estudos transversais - a prevalência (de fato, este tipo de estudo é muitas vezes designado de "estudos de prevalência", conforme já mencionado). 

No exemplo, encontramos, também, uma medida de associação - a razão entre a prevalência da doença nos indivíduos que possuem o fator em estudo (ou o fator de exposição) e a prevalência da doença nos que não o possuem, podendo, assim, ser, também, designado por razão de prevalência (RP)

____________________________

Vantagens do estudo transversal 

fonte: http://stat2.med.up.pt/cursop/print_script.php3?capitulo=desenhos_estudo&numero=6&titulo=Desenhos%20de%20estudo 


  • mais rápidos, mais baratos, mais fáceis em termos logísticos;
  • não são sensíveis a problemas como as perdas de seguimento e outros, característicos dos estudos longitudinais. Esta vantagem ficará mais clara a partir da descrição dos outros tipos de estudo. 
  • São mais facilmente generalizáveis do que outros. Isso também ficará mais claro a partir do estudo de outros desenhos de estudo.

Desvantagens



  • A maior desvantagem dos estudos transversais está associada com a impossibilidade de estabelecer relações causais por não ser possível, por meio deste desenho, estabelecer a existência de uma sequência temporal entre exposição ao fator e o subsequente desenvolvimento da doença.
  • Estes estudos são pouco práticos no estudo de doenças raras, uma vez que estas obrigam à seleção de amostras muito numerosas.
  • Só se poder medir a prevalência, e não a incidência, tornando limitada a informação produzida por este tipo de estudos quanto à história natural das doenças e ao seu prognóstico.
  • São susceptíveis aos chamados vieses de prevalência/incidência que acontecem quando o efeito de determinados fatores relacionados com a duração da doença é confundido com um efeito na ocorrência da doença. Por exemplo, num estudo realizado na década de 1970 encontrou-se uma grande frequência de antigénio linfocitário humano A2 (HLA-A2) entre crianças que sofriam de leucemia linfocítica aguda (LLA) e os investigadores concluíram que as crianças com este tipo de HLA tinham um risco aumentado de desenvolver esta doença. Estudos subsequentes demonstraram, contudo, que o HLA-A2 não era um fator de risco para o desenvolvimento da LLA, mas sim, um fator que estava associado a um melhor prognóstico em crianças com esta doença. Assim, a maior sobrevida dos doentes com HLA-A2 fazia com que na amostra de doentes do estudo transversal houvesse uma maior probabilidade de encontrar doentes com este tipo de HLA em comparação com os outros tipos. Observou-se, assim, que uma aparente maior incidência era na realidade o efeito de uma maior prevalência em decorrência de um melhor prognóstico.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Desenho de Estudo: estudo observacionais e estudos experimentais

Estudos Experimentais e Estudos Observacionais: breve comparação

O objetivo central da investigação epidemiológica é encontrar qual a causa de determinado efeito de eventos ligados à saúde de populações.

O experimento controlado, especialmente na ciência animal, é a forma mais direta e com menor viés de tentar buscar essa resposta. Sabe-se que viés é um erro sistemático na condução de um experimento.


Partindo de uma hipótese, o pesquisador que conduz o experimento faz acontecer uma ação (causa) no sentido de perceber qual a sua consequência (efeito). Idealmente, o pesquisador modifica a causa medindo o efeito enquanto, simultaneamente, controla todas as condições que podem afetar o efeito em estudo. 


Esta forma de controlar a causa permite concluir com maior grau de certeza que o efeito resultou da causa.

No estudo de uma relação de causa-efeito, o estudo experimental (ou experimento controlado) - que assume, em epidemiologia, as formas de ensaio clínico, ensaio de campo e ensaio comunitário - é aceita como padrão ouro no meio científico.

De fato, essa aceitação, quase universal, não ocorre por acaso. Todos os estudos epidemiológicos têm a sua origem nos conceitos de experimento natural. Quando o experimento é exequível, são realizados estudos experimentais; quando não pode ser feito o estudo experimental, é feita a opção por estudos observacionais para avaliar o que teria acontecido caso tivesse ocorrido tal experiência.

Por que um estudo experimental pode ser inexequível? Dado o envolvimento de seres humanos, o uso da experimentação, embora desejável, nem sempre é de execução razoável. Surgem questões éticas. 

Seria razoável submeter um grupo de pessoas à fome e não submeter outro grupo para estudar o efeito da fome sobre uma doença específica? Seria razoável designar um grupo de pessoas à poluição sonora e não submeter outro grupo para verificar algum efeito sobre a audição ou sobre algum transtorno mental? A resposta é claramente não. 

É nesta lacuna ética experimental que os avanços metodológicos da epidemiologia observacional cresceram nos últimos anos. Sobre questões éticas em estudos observacionais, leia, se desejar se aprofundar: http://www.portalbioetica.com.br/adm/artigos/epidemiologica_zoboli.pdf

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Entendido porque podem ser preferíveis estudos observacionais a outros, a grande questão acerca dos estudos observacionais versus experimentais refere-se a sua capacidade para demonstrar uma relação de causa-efeito. É necessário compreender o que são os vieses (erros sistemáticos) que estes estudos podem conter e que podem colocar em questão a sua própria validade interna.

Fonte: http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/download/3975/3223  



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Níveis de prevenção: DEZ (10) questões resolvidas, todas comentadas

(1) Os testes de rastreamento distinguem os indivíduos que aparentemente estão bem, mas que têm uma doença ou um fator de risco. Esse tipo de teste é parte de muitas atividades de prevenção primária e de todas as atividades de prevenção secundária.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: O teste de rastreamento é aplicado em assintomáticos. O teste busca indivíduos com incidência (caso incidente) e, nesse caso, seria só prevenção secundária. Mas se pensamos como um todo, o teste de rastreamento chama atenção para muitos fatores de risco - pensem nas campanhas para a necessidade do rastreamento da doença em questão - e, portanto, podem atuar na prevenção primária sim, fazendo com que as pessoas fiquem mais atentas a fatores que podem ser modificados.

(2) Atividades que modificam a vida, como mudar para uma dieta baixa em gorduras, procurar um programa estável de exercícios aeróbicos e parar com o tabagismo, são consideradas como sendo métodos de prevenção secundária ou pré-doença.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: Errado. Leia a questão anterior, bem como seu comentário. As atividades aqui descritas postergam/diminuem/evitam um novo caso. Portanto, trata-se de prevenção primária.

(3) Diagnóstico pré-sintomático e tratamento por meio de programas de rastreamento são referidos como prevenção secundária. Apesar da não prevenirem a causa de início do processo de doença, podem prevenir as sequelas permanentes.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: Excelente questão. Define boa parte da prevenção secundária e explica que, se a prevenção secundária tiver sucesso, não haverá necessidade de prevenção terciária.

(4) 
Quando a doença se torna sintomática e a assistência médica é procurada, inicia-se o trabalho da medicina preventiva e(ou) curativa, de modo a limitar incapacidade em pacientes com sintomas precoces, ou de modo a reabilitar pacientes com doença sintomática tardia. Nesse estágio, como não há nível de prevenção estabelecido, considera-se que não há prevenção possível..

(A) Certo
(B) Errado
Comentário: O trabalho da medicina preventiva (curativa) se inicia antes (no período pré-patogênico). Ademais, a prevenção de que se fala é a terciária. Ou seja, essa questão nem discrimina, tem tantos equívocos...
Fonte: http://rotadosconcursos.com.br/questoes-de-concursos/vigilancia-sanitaria-politica-de-saude-servico-unico-de-saude-sus-vigilancia-epidemiologica/533694

(5) A prevenção secundária engloba ações voltadas à reabilitação do indivíduo após a cura ou o controle da doença, a fim de reajustá-lo a uma nova condição de vida.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: A questão fala de prevenção terciária. 
Fonte: http://rotadosconcursos.com.br/questoes-de-concursos/vigilancia-sanitaria-politica-de-saude-servico-unico-de-saude-sus-vigilancia-epidemiologica/533696

(6) Da prevenção primária espera-se a diminuição da incidência da doença mediante o controle de fatores de risco ou causas associadas, bem como a diminuição do risco médio de doença na população, enquanto da prevenção secundária espera-se que haja diminuição da prevalência da doença, essencialmente pela diminuição da sua duração.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: excelente questão, abrindo o leque de compreensão do aluno, falando da relação com as causas associadas que podem levar à incidência de novas doenças e estabelecendo o belíssimo conceito de incidência, prevalência e duração. 

(7) Realizada, em geral, fora do sistema de atenção à saúde, a prevenção primária previne ou impede a ocorrência de doença, removendo suas causas.
(A) Certo
(B) Errado
Comentário: Questão ruim. a prevenção primária é isso o que está sendo dito na questão e PODE ser realizada fora do sistema de saúde: propagandas em jornais, TV, palestras em empresas. Em geral para questão de prova é caótico. Nunca aplicaria essa questão em uma prova minha. Ela vale para reforçar o conceito de prevenção primária
(8) Assinale a opção cuja ação corresponda ao nível secundário de prevenção de doenças, segundo o modelo descrito por Leavel & Clark.
A. Saneamento básico.
B. Imunização.
C. Aconselhamento genético.
D. Inquérito para detecção de casos na comunidade.
E. Controle de vetores.
Comentário: A letra D é destinada à busca de casos já existentes. As demais são ações de prevenção primária
Baseado em: http://rotadosconcursos.com.br/questoes-de-concursos/vigilancia-sanitaria-politica-de-saude-servico-unico-de-saude-sus-vigilancia-epidemiologica/156117



(9) Considerando-se o modelo de história natural da doença, a vacinação, tanto de adultos quanto de crianças, representa uma ação de saúde coletiva do tipo.
A. Prevenção Terciária.
B. Proteção Específica.
C. Promoção da Saúde.
D. Prevenção Secundária.
Comentário: Para responder, é preciso saber o que é prevenção primária e saber ainda um pouco mais: que ela contém as abordagens B e C. Aí, é fácil resolver, pela palavra proteção.

(10) Imunizações, reabilitação de um paciente com sequelas de AVC, realização de citopatológico de colo uterino e evitar realizar procedimentos invasivos desnecessários são, respectivamente, exemplos de níveis de prevenção. Selecione a sequência com a ordem do tipo de prevenção correta.
A) Secundária, Terciária, Primária e Quaternária.
B) Quaternária, Primária, Terciária e Secundária.
C) Primária, Terciária, Secundária e Quaternária.
D) Primária, Secundária, Terciária e Quaternária.
E) Secundária, Quaternária, Terciária e Primária.
Comentário: Ficamos limitados às opções C e D pois a imunização evita o surgimento do caso novo (prevenção primária). A reabilitação é palavra chave da prevenção terciária. Ficamos com a letra C. Questão MUITO fácil.
Fonte: http://www.ufac.br/site/editais-concursos/prograd/edital-prograd-no-08-2017-processo-seletivo-para-preenchimento-de-vagas-residuais-nos-cursos-de-graduacao-da-ufac-para-o-1o-semestre-de-2017/gabarito-preliminar-e-cadernos-de-prova-da-prova-objetiva/caderno-de-provas-objetiva-medicina.pdf/@@download/file/Caderno%20de%20Provas%20Objetiva%20-%20Medicina.pdf (questão 59)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Confiabilidade de testes diagnósticos

Além da Validade: Confiabilidade


Além da validade de um teste diagnóstico, a capacidade de um teste ser reprodutível é um outro aspecto para auxiliar na avaliação de um teste diagnóstico.

Podem ser os resultados obtidos pelo teste serem replicados se o teste é repetido? Essa pergunta é muito importante. Claramente, mesmo que o teste tenha sensibilidade e especificidade excelentes, se os resultados do teste não puderem ser reproduzíveis, o valor e a utilidade desse teste não é muito grande.

Há três fatores que podem contribuir para a variabilidade entre resultados de testes diagnósticos: variação intra-sujeitos (variabilidade inerente ao indivíduo testado); variação intra-observadores (variabilidade inerente ao indivíduo que avalia o teste); variação entre observadores, que é o tópico de interesse.


Variabilidade entre observadores


Dois examinadores frequentemente não obtém resultados iguais para um determinado exame. A extensão em quê dois examinadores diferem (concordam ou discordam) é importante em testes clínicos ou laboratoriais. Essa extensão da concordância pode ser medida em termos quantitativos.

Medida 1 - Percentual de concordância geral



Os examinadores podem ser, por exemplo, dois radiologistas. O diagrama apresentado corresponde às leituras desses examinadores. O total de exames avaliados é igual a A+B+C+D+E+F+G+H+I+ J+K+L+M+N+O+P

O percentual de concordância será igual a (A + F + K + P) X 100 / (total de exames avaliados).


Medida 2 - Percentual de concordância geral para casos onde só há dois resultados (positivo e negativo para o teste)

Podemos simplificar para situações onde o teste terá apenas um dos dois resultados: positivo ou negativo.




Neste caso, o percentual de concordância será igual a (A + D) X 100/ (A + B + C + D)

Este percentual tende a ser grande porque, em geral, as pessoas que são testadas têm resultados negativos (D é grande).


Medida 3 - Percentual de concordância positivo para casos onde só há dois resultados (positivo e negativo para o teste)

Dado que D é grande e o percentual de concordância pode vir a ser grande apenas por causa disso, uma medida alternativa desconsidera indivíduos que são considerados negativos por ambos os observadores utilizando, então, aqueles considerados positivos por pelo menos um observador.

O percentual de concordância somente para aqueles com uma avaliação positiva do teste:

A X 100/ (A+ B+C)




Medida 4 - Estatística Kappa

Os examinadores podem concordar puramente pela chance. Essa é a premissa por trás da estatística Kappa.

Essa premissa pode ser explicada de forma bastante intuitiva. Imagine que você se encontra em uma situação desesperadora: você é dono de uma clínica de radiologia que carece de pessoal e um número enorme de radiografias necessita ser examinada. Para resolver seu problema, você vai até a esquina mais próxima e pede a alguns moradores das redondezas, sem conhecimento algum em medicina ou biologia para ler os raio X para você e classificá-los como positivos ou negativos. O primeiro voluntário os classifica de forma aleatória, assim: positivo, negativo, positivo, negativo, positivo, negativo, negativo, negativo, positivo...; o segundo também classifica aleatoriamente, em outra ordem qualquer. A pergunta é: não parece razoável que alguns exames vão concordar simplesmente pelo acaso? A resposta: é claro que sim!!!

(é claro que cinco minutos depois de tomar a decisão de convocar os moradores locais você cai em si, agradece e dispensa os moradores... e nem usa os 'resultados' que eles obtiveram).

Com base nesse exemplo, é possível afirmar que: haverá concordância aleatória (meramente ao acaso) entre dois examinadores. Então, desejamos saber qual a extensão da concordância além do acaso entre dois examinadores?

Cohen, em 1960, propôs a medida denominada estatística Kappa usada até hoje.

Para compreender o que essa medida significa é preciso entender


  • Quão melhor é a concordância entre dois examinadores além da chance? Isso pode ser medido por: (Percentual de concordância observado - Percentual de concordância esperado APENAS pela CHANCE)
  • Qual seria a máxima concordância possível entre quais dois examinadores? A resposta é: 100%. Qual seria a concordância máxima ALÉM da chance?  (100% - Percentual de concordância esperado APENAS pela CHANCE)

Kappa expressa a extensão da concordância observada além da chance em relação à máxima concordância que poderia ser esperada além da chance

Kappa = 
(% concordância observada - % concordância esperada APENAS pela CHANCE) / (100% - % concordância esperado APENAS pela CHANCE)

Para calcular o Kappa falta uma etapa: calcular a concordância decorrente UNICAMENTE do acaso.

Imagine uma situação na qual há 200 exames radiológicos para serem analisados. Destas 200 radiografias, os radiologistas A e B: 


  • concordam em 170 exames, da seguinte forma: em 130 concordam que o resultado é negativo; em 40 concordam que o resultado é positivo. A concordância observada é 170 x 100 / 200 = 85%
  • discordam em 30 exames, da seguinte forma: em 20, o radiologista A avalia como negativo o resultado enquanto o B diz ser positivo; ocorre o inverso (A diz que é positivo e B diz que é negativo) em 10 exames.


A partir daqui segue toda a lógica do cálculo da concordância esperada unicamente pela chance:


  • O radiologista A avalia um grupo de 200 exames da forma: 150 negativos; 50 positivos.
  • O radiologista B avalia um grupo de 200 exames da forma: 140 negativos e 60 positivos.


Extrapolamos essa ideia e inferimos que:


  • Se o radiologista A classificasse os 140 exames negativos de B sem qualquer critério, simplesmente de forma aleatória (estamos supondo que ele fez isso para esse cálculo), ele obteria 75% dos exames negativos, ou seja, 105 exames classificados como negativos (e, então, 35 positivos); do mesmo modo, se classificasse os exames positivos de B sem qualquer critério (60 exames), diria que 45 são negativos e 15, positivos.
  • Ao acaso, então, haveria a seguinte concordância: 105 exames negativos + 15 exames positivos = 120 exames positivos. 120 x 100 / 200 = 60%


Kappa = (85 - 60) / (100 - 60) = 15 / 40 = 0,375


Esta medida de concordância tem como valor máximo o 1, que representa total concordância e os valores próximos e até abaixo de zero (é possível haver valores abaixo de zero), indicam nenhuma concordância, ou a concordância foi exatamente a esperada pelo acaso. Um valor de Kappa menor que zero, negativo, sugere que a concordância encontrada foi menor do aquela esperada por acaso. Sugere, portanto, discordância, mas seu valor não tem interpretação como intensidade de discordância. Obtivemos 0,375, ou 37,5% da máxima concordância além do acaso.

Segundo Landis e Koch, que posteriomente classificaram os valores de Kappa, 0,75 representa concordância excelente; entre 0,40 e 0,75 intermediária ou moderada. abaixo de 0,40 representa concordância pobre. Há outras classificações, de outros autores.



Fonte: Gordis: Epidemiology, 4th Edition. Copyright 2008 Saunders (Elsevier); http://www.lee.dante.br/pesquisa/kappa/

domingo, 26 de abril de 2015

Mais Dezesseis (16) Exercícios Resolvidos: Teste Diagnóstico

1-Qual a definição de sensibilidade?
a) A capacidade de um teste, quando negativo, significar saúde
b) A probabilidade de um teste ser negativo em pessoas sem determinada doença
c) A capacidade de um teste, quando positivo, significar determinada doença
d) A probabilidade de um teste classificar corretamente pessoas que têm e que não têm determinada doença
e) A probabilidade de um teste ser positivo em pessoas que têm determinada doença
Letra e. Sensibilidade é a capacidade de um teste detectar certa doença.


2-Um teste foi realizado em 200 pessoas. O teste foi positivo em 75 pessoas e negativo nas outras 125. Das 125 pessoas com resultado negativo, 100 estavam saudáveis e 25, doentes. Já das 75 pessoas com resultados positivos, 60 estavam realmente doentes e as outras 15 estavam saudáveis. Qual o valor preditivo positivo?
a) 160/200
b) 60/85
c) 75/200
d) 60/75
e) 60/15
Letra d. O valor preditivo positivo é a relação entre os verdadeiros positivos e todos os positivos.

3-Um novo teste para a detecção de diabetes tem uma sensibilidade de 80% e especificidade de 75%. O teste foi feito em grupo para o qual a prevalência de diabetes é de 25% e o valor do preditivo positivo do teste é de 52%. Se o teste for feito em um grupo de pacientes onde a prevalência da doença é de 75%, comparado com o grupo de pacientes onde a prevalência é de 25%, o que acontece?
a) O valor preditivo positivo aumenta
b) A especificidade do teste aumenta
c) O valor preditivo positivo diminui
d) A sensibilidade do teste aumenta
e) O valor preditivo negativo aumenta
A resposta é a letra a. Quando a prevalência de certa doença aumenta, o valor preditivo positivo aumenta. Se a prevalência diminui, o valor preditivo negativo aumenta. Sensibilidade e especificidade não são alteradas pelo crescimento da prevalência.

4-Qual a definição de especificidade?
a) A capacidade de um teste, quando negativo, indicar os saudáveis.
b) A probabilidade de um teste classificar corretamente pessoas que têm e que não têm determinada doença
c) A probabilidade de um teste ser negativo em pessoas sem determinada doença
d) A probabilidade de um teste ser positivo em pessoas que têm determinada doença
e) A capacidade de um teste, quando positivo, significar determinada doença
A resposta é a letra c. 

5-Se você quer incluir uma doença entre as possíveis para um dado paciente, qual característica de teste seria melhor?
a) Um teste negativo com alta sensibilidade 
b) Um teste negativo com alta especificidade
c) Um teste com alta precisão global
d) Um teste positivo com alta especificidade
e) Um teste positivo com alta sensibilidade

Um teste com alta especificidade é útil para incluir doenças. (Se o teste é negativo, ele não inclui nenhuma doença, e sim a exclui)

6-Qual o termo usado para a probabilidade de que um paciente cujo teste teve resultado negativo não tenha a doença?
a) Sensibilidade 
b) Valor preditivo negativo
c) Risco relativo
d) Valor preditivo positivo
e) Especificidade
Letra b.

7-Um pesquisador descobriu que, de cada 100 pacientes que fazem um certo teste, 60 têm a doença, enquanto os outros 40 estão saudáveis. Dos 60 pacientes que têm a doença, 45 tiveram um resultado positivo e 15 tiveram um resultado negativo no teste. Dos 40 pacientes que estão saudáveis, 30 tiveram resultado negativo no teste e 10 tiveram resultado positivo. Qual é o valor preditivo positivo da doença?
a) (45 + 30) / 100 = 75%
b) 10 / 100 = 10%
c) 45 / 100 = 45%
d) 60 / 100 = 60%
e) 45 / (45 + 10) = 82%
A resposta é a letra e. O valor preditivo positivo é o número real de positivos (45) dividido por todos os positivos (45 + 10) = (45/55)

8- Selecione a afirmativa correta sobre a doença X:
a) O VPN do teste para doença X aumentará se a prevalência da doença X decrescer.
b) Um teste para a doença X que é 100% sensível não terá falso positivos.
c) Um teste para a doença X que é 100% específico não terá verdadeiros negativos.
d) Mesmo se a prevalência da doença X mudar, o valor de VPP não mudará.
e) Um teste que resulte em valores preditivos de 100% não terá resultados falsos positivos.

Resposta: Letra A
Veja a explicação esquemática para a letra A, que é a correta. A prevalência passou de 10% para zero neste exemplo e o VPN é calculado.

9- Se um teste tem uma sensibilidade de 100%...
a) não deve ser usado como um teste de rastreamento, pois pode haver alguns falsos positivos .
b) significa que às vezes produz falsos negativos .
c) isso significa que o teste identifica todas as pessoas com a doença e nunca identifica quaisquer pessoas saudáveis ​​como tendo a doença.
d) isso significa que o teste identifica todas as pessoas com a doença, mas que pode erroneamente indicar que algumas pessoas saudáveis ​​têm a doença.
Comentário: produzir ou não resultados falso negativos depende da especificidade do teste.
Fonte:http://www.theanswerpage.com/multichoice.php?specialty_id=7&topic_id=31


10- Um paciente teve um diagnóstico de hipotireoidismo. O teste corretamente identifica pacientes que de fato tem a doença em 93% dos casos e corretamente classifica pacientes saudáveis em saudáveis em 81% dos casos. 4% do total de pacientes tem a doença e tem o resultado positivo. Pergunta-se: se uma pessoa é escolhida ao acaso e for positiva, qual a probabilidade de ser doente?

Resposta: 
Imagine uma população de 10.000 pessoas.
4% tem a doença e tem resultado positivo = (10.000)X(0,04)X(0,93)=372. Chamamos isso de prevalência detectada pelo teste.
96% não tem a doença e não tem resultado negativo = (10.000)X(0,96)X(0,19)=1824
Total de resultados positivos = 372 + 1824 = 2196 pessoas
Entre 2196 pessoas positivas, 372 serão doentes. Logo, a probabilidade é 372/2196 = 16,9% 

Onde está escrito falso positivo no quadrinho leia "falso negativo"; onde está escrito falso negativo no quadrinho leia "falso positivo"

11- Refaça o exercício 10 com uma prevalência detectada pelo teste de 2%. Compare seus resultados.

Resposta: 
Imagine, novamente, uma população de 10.000 pessoas.
2% tem a doença e tem resultado positivo = (10.000)X(0,02)X(0,93)=186. Chamamos isso de número de casos prevalentes detectados pelo teste - apenas para lembrar
96% não tem a doença e não tem resultado negativo = (10.000)X(0,98)X(0,19)=1862
Total de resultados positivos = 186 + 1862 = 2048 pessoas
Entre 2048 pessoas positivas, 186 serão doentes. Logo, a probabilidade é 186/2048 = 9,1%.
A intuição nos diz que se a prevalência é menor, mesmo encontrando uma pessoa detectada pelo teste como sendo positiva, a probabilidade de ser de fato doente ainda é baixa, porque o próprio risco da doença ainda é muito baixo. Essa probabilidade calculada diminui à medida que diminuímos a prevalência.


12- Falso ou Verdadeiro: "o índice kappa constitui um avanço em relação à taxa geral de concordância, por ser um indicador ajustado, que leva em consideração a proporção de concordância não aleatória, ou aquela que ocorre além da esperada pelo acaso"

Resposta: Verdadeiro. 'Além de' indica que da concordância observada foi subtraída a concordância esperada pelo acaso: o que 'sobra' é além do acaso...
Fonte:http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v37n5/0100-7203-rbgo-37-05-00222.pdf

13- Todas as afirmações seguintes são verdadeiras, exceto:
a) Se um médico acredita que um teste diagnóstico particular terá resultados positivo, esse médico obrigatoriamente deve conduzir o teste no paciente. 
b) Se a doença é tão improvável que o médico não acredita no resultado positivo do teste, talvez o teste não deva ser feito.
c) É razoável não efetuar teste diagnóstico algum se a conduta médica não se for modificar com base no resultado do teste.
d) Se o risco do teste supera o risco de outras opções (como o risco do próprio tratamento) talvez o teste não deva ser feito.

Resposta: Letra a. Efetuar o teste não adiciona quase informação alguma ao médico.
Fonte: https://www.theanswerpage.com/multichoice.php?specialty_id=7&topic_id=31

14- Se um teste de diagnóstico com alta sensibilidade é usado para testar um paciente e eles obtém um resultado positivo:
a) É altamente provável que o paciente tenha a doença.
b) É altamente improvável que o paciente tenha a doença.
c) É provável que o paciente tenha a doença, se esta doença for prevalente na população.
d) Se a doença é rara, podemos estar confiantes de que o paciente é um dos casos raros.

Resposta: Letra c. o VPP aumenta com o aumento da prevalência. As demais alternativas são incorretas.
Fonte: http://pingpong.ki.se/public/pp/public_courses/course05716/published/1289756629128/resourceId/3966959/content/infoweb/node-1657559/sample_exam_ans-1.pdf

15- Em uma população a prevalência de uma doença é 15%. As propriedades de um teste são estudadas utilizando uma amostra aleatória de 155 pacientes. Qual a afirmativa verdadeira?
a) Os autores obterão a mesma precisão para sensibilidade e especificidade estimadas com base nessa amostra.
b) A sensibilidade pode ser estimada mais precisamente do que a especificidade com base nessa amostra.
c) A especificidade pode ser estimada mais precisamente do que a sensibilidade com base nessa amostra.
Resposta: Letra c. A doença é relativamente rara e uma amostra aleatória irá originar em torno de 23 casos (155X0,15) e 132 não casos. Há muito mais informação para gerar estimativa precisa de especificidade do que de sensibilidade. Repare que para solucionar esta questão você precisa entender a relação entre tamanho de amostra e como isso pode afetar a estimativa de sensibilidade e especificidade.
Fonte: http://pingpong.ki.se/public/pp/public_courses/course05716/published/1289756629128/resourceId/3966959/content/infoweb/node-1657559/sample_exam_ans-1.pdf

16-Preocupados com o impacto do diabetes mellitus em termos de morbidade e mortalidade no Brasil, o Ministério da Saúde e Sociedades Médicas brasileiras recomendaram a redução do limite superior de normalidade da glicemia de jejum de 110mg/dL para 100mg/dL no ano de 2003. Esta alteração no teste diagnóstico para diabetes resultou em:
a. Aumento da especificidade.
b. Aumento da acurácia.
c. Aumento do valor preditivo negativo.
d. Redução da incidência da doença.
e. Aumento da sensibilidade. 
Resposta: Letra E. O teste é que foi modificado, então letras B, C e D estão descartadas. A letra E implica menor número de falsos negativos dentre os doentes. Então, houve aumento da sensibilidade. 
Fonte:http://www.ceremrr.com/wp-content/uploads/2015/01/PROVA-RESIDENCIA-2015.1.pdf