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terça-feira, 5 de abril de 2016

Artigo sobre sensibilidade, especificidade, VPP, VPN. Exercícios para alunos de Medicina 2016/1

O artigo a seguir será um dos artigos utilizado nos próximos exercícios. Cada bloco de questões deverá ser entregue antes da próxima prova e valerá 0,3 ponto. Preferencialmente, faça os exercícios com lápis ou caneta, não faça no computador.

Artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102005000600017

Bloco 1

(1) Faça um resumo da introdução desse artigo, indicando qual o conhecimento existente sobre o tema e procure saber o que é audiometria tonal liminar (e escreva seu conceito/definição)
(2) Explique qual o delineamento do estudo e o tamanho do grupo de estudado. 


sábado, 17 de outubro de 2015

Aulas e Textos excelentes sobre testes diagnósticos com comentários (validade e confiabilidade)

http://ecdc.europa.eu/en/epiet/courses/Documents/12-Sensitivity_and_specitivity_2012.ppt
aula que é um verdadeiro primor na análise das interrelações sensibilidade, especificidade, VPP e VPN

http://www.joinville.ifsc.edu.br/~anna/AULAS%20EPIDEMIOLOGIA%20-%20CURSO/epidem/5a_aula_Validade.ppt
especial atenção nas explicações de testes múltiplos.

http://ocw.jhsph.edu/courses/FundEpi/PDFs/Lecture11.pdf
excelente! Aula da Universidade Johns Hopkins

http://www.misodor.com/VALIDTESTDIA.html
todos os médicos deveriam ler. Excelente, sensível, direto e interessante. Aplicado ao paciente e à clínica.

http://www.joinville.ifsc.edu.br/~anna/AULAS%20EPIDEMIOLOGIA%20-%20CURSO/epidem/Epi_Valid_R.pdf
é um material com exercícios resolvidos, são simples e muito bons.

http://residenciapediatrica.com.br/detalhes/37/estudos-transversais-de-prevalencia-e-de-diagnostico
Publicação da Sociedade Brasileira de Pediatria. Leia sobre a aplicação de testes sensíveis e específicos (muito bom)

https://www.ndafp.org/image/cache/Understand_Dx_tests_Panacek_NDAFP.syllabus.pdf
Desafiador

domingo, 26 de abril de 2015

Mais Dezesseis (16) Exercícios Resolvidos: Teste Diagnóstico

1-Qual a definição de sensibilidade?
a) A capacidade de um teste, quando negativo, significar saúde
b) A probabilidade de um teste ser negativo em pessoas sem determinada doença
c) A capacidade de um teste, quando positivo, significar determinada doença
d) A probabilidade de um teste classificar corretamente pessoas que têm e que não têm determinada doença
e) A probabilidade de um teste ser positivo em pessoas que têm determinada doença
Letra e. Sensibilidade é a capacidade de um teste detectar certa doença.


2-Um teste foi realizado em 200 pessoas. O teste foi positivo em 75 pessoas e negativo nas outras 125. Das 125 pessoas com resultado negativo, 100 estavam saudáveis e 25, doentes. Já das 75 pessoas com resultados positivos, 60 estavam realmente doentes e as outras 15 estavam saudáveis. Qual o valor preditivo positivo?
a) 160/200
b) 60/85
c) 75/200
d) 60/75
e) 60/15
Letra d. O valor preditivo positivo é a relação entre os verdadeiros positivos e todos os positivos.

3-Um novo teste para a detecção de diabetes tem uma sensibilidade de 80% e especificidade de 75%. O teste foi feito em grupo para o qual a prevalência de diabetes é de 25% e o valor do preditivo positivo do teste é de 52%. Se o teste for feito em um grupo de pacientes onde a prevalência da doença é de 75%, comparado com o grupo de pacientes onde a prevalência é de 25%, o que acontece?
a) O valor preditivo positivo aumenta
b) A especificidade do teste aumenta
c) O valor preditivo positivo diminui
d) A sensibilidade do teste aumenta
e) O valor preditivo negativo aumenta
A resposta é a letra a. Quando a prevalência de certa doença aumenta, o valor preditivo positivo aumenta. Se a prevalência diminui, o valor preditivo negativo aumenta. Sensibilidade e especificidade não são alteradas pelo crescimento da prevalência.

4-Qual a definição de especificidade?
a) A capacidade de um teste, quando negativo, indicar os saudáveis.
b) A probabilidade de um teste classificar corretamente pessoas que têm e que não têm determinada doença
c) A probabilidade de um teste ser negativo em pessoas sem determinada doença
d) A probabilidade de um teste ser positivo em pessoas que têm determinada doença
e) A capacidade de um teste, quando positivo, significar determinada doença
A resposta é a letra c. 

5-Se você quer incluir uma doença entre as possíveis para um dado paciente, qual característica de teste seria melhor?
a) Um teste negativo com alta sensibilidade 
b) Um teste negativo com alta especificidade
c) Um teste com alta precisão global
d) Um teste positivo com alta especificidade
e) Um teste positivo com alta sensibilidade

Um teste com alta especificidade é útil para incluir doenças. (Se o teste é negativo, ele não inclui nenhuma doença, e sim a exclui)

6-Qual o termo usado para a probabilidade de que um paciente cujo teste teve resultado negativo não tenha a doença?
a) Sensibilidade 
b) Valor preditivo negativo
c) Risco relativo
d) Valor preditivo positivo
e) Especificidade
Letra b.

7-Um pesquisador descobriu que, de cada 100 pacientes que fazem um certo teste, 60 têm a doença, enquanto os outros 40 estão saudáveis. Dos 60 pacientes que têm a doença, 45 tiveram um resultado positivo e 15 tiveram um resultado negativo no teste. Dos 40 pacientes que estão saudáveis, 30 tiveram resultado negativo no teste e 10 tiveram resultado positivo. Qual é o valor preditivo positivo da doença?
a) (45 + 30) / 100 = 75%
b) 10 / 100 = 10%
c) 45 / 100 = 45%
d) 60 / 100 = 60%
e) 45 / (45 + 10) = 82%
A resposta é a letra e. O valor preditivo positivo é o número real de positivos (45) dividido por todos os positivos (45 + 10) = (45/55)

8- Selecione a afirmativa correta sobre a doença X:
a) O VPN do teste para doença X aumentará se a prevalência da doença X decrescer.
b) Um teste para a doença X que é 100% sensível não terá falso positivos.
c) Um teste para a doença X que é 100% específico não terá verdadeiros negativos.
d) Mesmo se a prevalência da doença X mudar, o valor de VPP não mudará.
e) Um teste que resulte em valores preditivos de 100% não terá resultados falsos positivos.

Resposta: Letra A
Veja a explicação esquemática para a letra A, que é a correta. A prevalência passou de 10% para zero neste exemplo e o VPN é calculado.

9- Se um teste tem uma sensibilidade de 100%...
a) não deve ser usado como um teste de rastreamento, pois pode haver alguns falsos positivos .
b) significa que às vezes produz falsos negativos .
c) isso significa que o teste identifica todas as pessoas com a doença e nunca identifica quaisquer pessoas saudáveis ​​como tendo a doença.
d) isso significa que o teste identifica todas as pessoas com a doença, mas que pode erroneamente indicar que algumas pessoas saudáveis ​​têm a doença.
Comentário: produzir ou não resultados falso negativos depende da especificidade do teste.
Fonte:http://www.theanswerpage.com/multichoice.php?specialty_id=7&topic_id=31


10- Um paciente teve um diagnóstico de hipotireoidismo. O teste corretamente identifica pacientes que de fato tem a doença em 93% dos casos e corretamente classifica pacientes saudáveis em saudáveis em 81% dos casos. 4% do total de pacientes tem a doença e tem o resultado positivo. Pergunta-se: se uma pessoa é escolhida ao acaso e for positiva, qual a probabilidade de ser doente?

Resposta: 
Imagine uma população de 10.000 pessoas.
4% tem a doença e tem resultado positivo = (10.000)X(0,04)X(0,93)=372. Chamamos isso de prevalência detectada pelo teste.
96% não tem a doença e não tem resultado negativo = (10.000)X(0,96)X(0,19)=1824
Total de resultados positivos = 372 + 1824 = 2196 pessoas
Entre 2196 pessoas positivas, 372 serão doentes. Logo, a probabilidade é 372/2196 = 16,9% 

Onde está escrito falso positivo no quadrinho leia "falso negativo"; onde está escrito falso negativo no quadrinho leia "falso positivo"

11- Refaça o exercício 10 com uma prevalência detectada pelo teste de 2%. Compare seus resultados.

Resposta: 
Imagine, novamente, uma população de 10.000 pessoas.
2% tem a doença e tem resultado positivo = (10.000)X(0,02)X(0,93)=186. Chamamos isso de número de casos prevalentes detectados pelo teste - apenas para lembrar
96% não tem a doença e não tem resultado negativo = (10.000)X(0,98)X(0,19)=1862
Total de resultados positivos = 186 + 1862 = 2048 pessoas
Entre 2048 pessoas positivas, 186 serão doentes. Logo, a probabilidade é 186/2048 = 9,1%.
A intuição nos diz que se a prevalência é menor, mesmo encontrando uma pessoa detectada pelo teste como sendo positiva, a probabilidade de ser de fato doente ainda é baixa, porque o próprio risco da doença ainda é muito baixo. Essa probabilidade calculada diminui à medida que diminuímos a prevalência.


12- Falso ou Verdadeiro: "o índice kappa constitui um avanço em relação à taxa geral de concordância, por ser um indicador ajustado, que leva em consideração a proporção de concordância não aleatória, ou aquela que ocorre além da esperada pelo acaso"

Resposta: Verdadeiro. 'Além de' indica que da concordância observada foi subtraída a concordância esperada pelo acaso: o que 'sobra' é além do acaso...
Fonte:http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v37n5/0100-7203-rbgo-37-05-00222.pdf

13- Todas as afirmações seguintes são verdadeiras, exceto:
a) Se um médico acredita que um teste diagnóstico particular terá resultados positivo, esse médico obrigatoriamente deve conduzir o teste no paciente. 
b) Se a doença é tão improvável que o médico não acredita no resultado positivo do teste, talvez o teste não deva ser feito.
c) É razoável não efetuar teste diagnóstico algum se a conduta médica não se for modificar com base no resultado do teste.
d) Se o risco do teste supera o risco de outras opções (como o risco do próprio tratamento) talvez o teste não deva ser feito.

Resposta: Letra a. Efetuar o teste não adiciona quase informação alguma ao médico.
Fonte: https://www.theanswerpage.com/multichoice.php?specialty_id=7&topic_id=31

14- Se um teste de diagnóstico com alta sensibilidade é usado para testar um paciente e eles obtém um resultado positivo:
a) É altamente provável que o paciente tenha a doença.
b) É altamente improvável que o paciente tenha a doença.
c) É provável que o paciente tenha a doença, se esta doença for prevalente na população.
d) Se a doença é rara, podemos estar confiantes de que o paciente é um dos casos raros.

Resposta: Letra c. o VPP aumenta com o aumento da prevalência. As demais alternativas são incorretas.
Fonte: http://pingpong.ki.se/public/pp/public_courses/course05716/published/1289756629128/resourceId/3966959/content/infoweb/node-1657559/sample_exam_ans-1.pdf

15- Em uma população a prevalência de uma doença é 15%. As propriedades de um teste são estudadas utilizando uma amostra aleatória de 155 pacientes. Qual a afirmativa verdadeira?
a) Os autores obterão a mesma precisão para sensibilidade e especificidade estimadas com base nessa amostra.
b) A sensibilidade pode ser estimada mais precisamente do que a especificidade com base nessa amostra.
c) A especificidade pode ser estimada mais precisamente do que a sensibilidade com base nessa amostra.
Resposta: Letra c. A doença é relativamente rara e uma amostra aleatória irá originar em torno de 23 casos (155X0,15) e 132 não casos. Há muito mais informação para gerar estimativa precisa de especificidade do que de sensibilidade. Repare que para solucionar esta questão você precisa entender a relação entre tamanho de amostra e como isso pode afetar a estimativa de sensibilidade e especificidade.
Fonte: http://pingpong.ki.se/public/pp/public_courses/course05716/published/1289756629128/resourceId/3966959/content/infoweb/node-1657559/sample_exam_ans-1.pdf

16-Preocupados com o impacto do diabetes mellitus em termos de morbidade e mortalidade no Brasil, o Ministério da Saúde e Sociedades Médicas brasileiras recomendaram a redução do limite superior de normalidade da glicemia de jejum de 110mg/dL para 100mg/dL no ano de 2003. Esta alteração no teste diagnóstico para diabetes resultou em:
a. Aumento da especificidade.
b. Aumento da acurácia.
c. Aumento do valor preditivo negativo.
d. Redução da incidência da doença.
e. Aumento da sensibilidade. 
Resposta: Letra E. O teste é que foi modificado, então letras B, C e D estão descartadas. A letra E implica menor número de falsos negativos dentre os doentes. Então, houve aumento da sensibilidade. 
Fonte:http://www.ceremrr.com/wp-content/uploads/2015/01/PROVA-RESIDENCIA-2015.1.pdf

terça-feira, 21 de abril de 2015

Quinze (15) Exercícios Resolvidos: Teste Diagnóstico

[1] Qual dos seguintes aspectos não contribuem para o sucesso de um programa de rastreamento (screening) de uma determinada doença?
a. elevada incidência da doença
b. longa duração da doença subclínica
c. resultados terapêuticos excelentes em todos os estágios da doença
d. especificidade elevada do teste aplicado
A resposta é a letra c. Se os resultados são excelentes em TODOS os estágios (essa é a parte mais importante), por que fazer um teste diagnóstico que visa rastrear indivíduos preferencialmente em seu estágio recente? Os outros itens da questão justificam muito mais a necessidade de rastreamento do que a letra c.

[2] Um teste com sensibilidade de 99,9% e especificidade de 99% é utilizado para rastreamento de uma população cuja prevalência da doença é 1%. A proporção de positivos entre os que têm a doença é de, aproximadamente:
a. 10%
b. 50%
c. 90%
d. 99%
e. 99,9%
A resposta é a letra e. A tabela nem necessita ser feita. É só partir do conceito de sensibilidade.

[3] A prevalência de uma doença é 40%.Um teste tem sensibilidade de 75% e especificidade de 67%. VPP e VPN são:
a) 60%; 80%
b) 99%; 65%
c) 75%; 67%
d) 17%; 80%
Resposta: simulando uma população de 1000 pessoas, 400 são doentes, dos quais 300 (400x0,75) são detectados pelo teste. 600 não são doentes, dos quais 400 (600x0,67) são detectados pelo teste. Há 200 falso-positivos e 100 falso-negativos. O teste identificou 500 positivos (300+200) e 500 negativos (400+100). O VPP é igual 60% (300/500). Os 500 são os totais positivos; e o VPN igual a 80% (400/500). Os 500 são totais negativos. Neste tipo de exercício é interessante fazer a tabela. Letra a.

[4] Nenhum teste diagnóstico é perfeito. Os médicos devem saber interpretar informações sobre desempenho e características do teste. Qual das seguintes afirmações sobre características do teste é correta?
a) A probabilidade pré-teste de uma doença é igual à precisão do teste
b) O VPP varia com a prevalência da doença na população sendo testada.
c) A sensibilidade varia com a prevalência da doença.
d) Elevada especificidade é uma característica desejável de um teste que pretende definir corretamente quais indivíduos têm a doença.
A resposta é a letra b. A probabilidade pré-teste é a prevalência; a sensibilidade não varia com a prevalência da doença; Elevada especificidade tem importância quanto mais se deseje definir quem não tem a doença.


[5] Uma nova medicação é muito efetiva em pacientes com derrame, mas fatal em pacientes sem esta condição. Qual a característica mais importante de um teste confirmatório para que assegure que o menor número de pessoas possíveis sem derrame recebam a medicação? 
a) Alta sensibilidade 
b) Elevado valor preditivo do teste positivo.
c) Alta especificidade.
d) Elevado valor preditivo do teste negativo.
e) Elevada acurácia do teste.
A resposta é a letra c. Nesta situação é crítico não tratar pacientes sem derrame e um teste muito específico implica que muito poucos pacientes terão um teste positivo.


[6] Um pesquisador procura um teste diagnóstico para câncer de mama. Qual a característica mais importante de um teste diagnóstico? 
a) Alta sensibilidade 
b) Elevado valor preditivo do teste positivo.
c) Alta especificidade.
d) Elevado valor preditivo do teste negativo.
e) Elevada acurácia do teste.
A resposta é a letra a. Alta sensibilidade é útil na identificação inicial, particularmente em testes de rastreamento em larga escala. Sensibilidade baixa poderia deixar escapar muitos casos e não útil para esse tipo de rastreamento.

[7] Um novo teste está sendo usado para identificar pacientes com uma Doença X. O teste foi usado em 400 pessoas. Dos 400 pacientes, 200 tinham a Doença X e 200 não tinham a Doença X. O teste foi positivo em 120 pacientes que tinham a Doença X e foi negativo em 170 pacientes que não tinham a Doença X. Qual a probabilidade de um teste positivo indicar um paciente com a Doença X?

a) 85%
b) 80%
c) 60%
d) 68%
e) 50%
A resposta é a letra b. O valor preditivo positivo é o número de verdadeiros positivos dividido pelo número de todos os positivos. Sendo assim, temos: (120 / 150) = 80%. Veja que os 150 são encontrados assim: 150 = [(200-170)+120]
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

[8] Um teste feito na Instituição A é repetido na Instituição B. Resultados quase idênticos foram obtidos por cada instituição. Que tipo de teste é esse?
a) Específico
b) Preciso
c) Válido
d) Sensível
e) Confiável
A resposta é a letra e, pois o teste tem boa reprodutibilidade, mas não é necessariamente válido. Não sabemos se o teste é preciso. Esse conceito é intuitivo, mas será melhor explicado nas próximas postagens.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

[9] Um pesquisador descobriu que, de cada 100 pacientes que fazem um certo teste, 60 têm a doença, enquanto os outros 40 estão saudáveis. Dos 60 pacientes que têm a doença, 45 tiveram um resultado positivo e 15 tiveram um resultado negativo no teste. Dos 40 pacientes que estão saudáveis, 30 tiveram resultado negativo no teste e 10 tiveram resultado positivo. Qual é a prevalência da doença?
a) 45 / 100 = 45%
b) 60 / 100 = 60%
c) (45 + 30) / 100 = 75%
d) 45 / (45 + 10) = 82%
e) 10 / 100 = 10%
A resposta é a letra b, pois prevalência é o número de pessoas com uma certa doença em determinado tempo e espaço dividido pelo número total de pessoas que estão sendo estudadas. No caso:    60/100 = 60%
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)


[10]Um novo teste está sendo desenvolvido para identificação do HIV. Em 200 pessoas estudadas,100 têm HIV e 100 não têm. O teste teve resultado positivo em 75 pessoas e resultado negativo em 125 pessoas, sendo 25 falsos-positivos e 50 falsos-negativos. Qual é a acurácia do teste? 
a) 0,625
b) 1,0
c) 0,67 
d) 0,25
e) 2,0
Letra a é a resposta. A acurácia do teste = [(VP + VN) / total]=(50 + 75)/200=62,5/100 = 62,5%
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)


[11] Um teste de triagem foi aplicado por professores do ensino fundamental para avaliação de alterações visuais em 4.110 estudantes, bem como a comparação de avaliação realizada por médicos oftalmologistas. Das 610 crianças diagnosticadas com alteração visual pelo teste de triagem, apenas 560 tiveram esse diagnóstico confirmado pelos médicos. Por outro lado, das 3.500 crianças em que a triagem apontou ausência de alteração visual, 480 foram diagnosticadas pelos médicos como portadoras de algum tipo de alteração visual. Considerando o nível de validade do teste de triagem aplicado pelos professores, julgue os itens a seguir.

(i) A sensibilidade do teste de triagem realizado é inferior a 30%. 
C) Certo 
E) Errado
Resposta: O padrão ouro para comparação é a avaliação do oftalmologista. A sensibilidade é (560)/(560+480)=560/1040, que é superior a 0,30
Fonte: CESPE / 2010 / Banco de Brasília / Médico do Trabalho

(ii) O referido teste de triagem tem uma especificidade inferior a 60%. 
C) Certo 
E) Errado
Resposta: A especifidade é (3500-480)/(3500-480+(610-560))=3020/3070, que é superior a 0,60
Fonte: CESPE / 2010 / Banco de Brasília / Médico do Trabalho /

(iii) Os dados apresentados não permitem o cálculo do valor preditivo positivo desse teste de triagem.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: O VPP é (560)/(610)=3020/3500, que é superior a 0,60
Fonte: CESPE / 2010 / Banco de Brasília / Médico do Trabalho / 

[12] Um pesquisador fez o rastreamento de Febre aftosa no estado de Minas Gerais, utilizando um teste com sensibilidade de 99% e Especificidade de 98%. Sabendo que a população de bovinos no estado é de 10.000 e a prevalência de Febre Aftosa é de 5%, calcule a acurácia do teste.
Resposta: A acurácia é igual a [(10000X0,05)X(0,99)+(10000X0,95)X(0,98)]/10000 = (495+9310)/10000 = 9805/10000 = 98,05
Fonte:Castelo Branco exercícios

[13] Em bioestatística, a capacidade de um teste de diagnóstico apresentar um resultado negativo em indivíduos que não possuem a doença é conhecida como
A) sensibilidade. 
B) poder.
C) intervalo de confiança.
D) especificidade.
E) amplitude.
Resposta: A questão é simples e necessita apenas do conhecimento da definição de especificidade. Letra D
Fonte: VUNESP / 2005 / Fundação Paulistana de Educação e Tecnologia / Professor - Área Ensino Técnico / Higiene Dental 

[14] Dez por cento da população é diagnosticada com a doença X. A sensibilidade do teste diagnóstico é 95% e a especificidade é 98%. Qual a proporção da população de fato tem a doença X?
doentes=D
saudáveis=S
D+S=1
0,1 (D+S) = (0,95D)+(0,02S)
0,1 (D+1-D) = (0,95D)+(0,02 - 0,02D)
0,1-0,02=0,93D
0,08=0,93D
D=0,086
Resposta: 8,6%.

[15] Ao mensurar a confiabilidade de um instrumento (teste), a confiabilidade entre examinadores é a consistência dos achados por um examinador com aqueles achados de outro examinador.
C) Certo
E) Errado

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Relações Especificidade, Sensibilidade, VPN e VPP (com figuras)





























Fonte: Aulas Donna Schneider
no último quadrante, uma correção: onde VPN está 77,8% leia-se:87,8%

São muito comuns confusões entre as relações existentes entre especificidade, sensibilidade, valores preditivos positivos e valores preditivos negativos. Isso ocorre pelo grande número de variáveis envolvidas nessa equação. Mas, com um pouco de prática, a intuição começa a funcionar (tomando os devidos cuidados).

Os quadrantes foram adotados de uma aula excelente (link disponível: Aulas Donna Schneider).

Regra geral, temos:

- Se a prevalência diminui, VPP diminui (para um mesmo teste, ou seja, sensibilidades e especificidades iguais). Ou seja, se o teste é aplicado a uma população de menor prevalência da doença, o valor preditivo do teste, quando seu resultado é positivo, decresce. Se pensamos que a VPP é a probabilidade pós-teste, é natural que uma menor prevalência implique menor probabilidade pós-teste.
- Se mudamos o teste e passamos a ter um teste com sensibilidade maior, para uma mesma população (mesma população = prevalência igual), VPP aumenta e VPN também aumenta. Parece  bastante razoável e intuitivo.
- Pode-se planejar várias comparações com esses quadrantes e perguntar o que ocorre com VPP e VPN. Veja as comparações que você pode fazer:
--variação de prevalência para um mesmo teste;
--aumento da sensibilidade, mesma prevalência, mesma especificidade;
--aumento da especificidade, mesma prevalência, mesma sensibilidade.
e outras.
 OBS: o link não se encontra mais ativo

domingo, 19 de abril de 2015

Teste diagnósticos


A proposta do rastreamento (screening, em inglês) de uma doença por meio de um teste diagnóstico é prevenir a doença ou suas consequências por meio da identificação de indivíduos em um ponto na história natural – ponto este que ocorre quando o processo da doença pode ser alterado por meio de intervenção. Há três níveis de prevenção que são alvos típicos em programas de rastreamento das doenças:
  1. Prevenção primária: os alvos deste tipo de prevenção são pessoas assintomáticas. É necessária para identificar fatores de risco para a doença com o objetivo de detectar o processo patológico antes do desenvolvimento dos sintomas. Por exemplo, identificar pessoas nos primeiros estágios de intolerância à glicose e controlar seu peso e dieta, com o intuito de prevenir o desenvolvimento do diabetes. 
  2. Prevenção secundária: os alvos são pessoas no início do processo da doença com o objetivo de melhorar o prognóstico. Por exemplo, identificar pessoas com diabetes não detectada ou não controlada com o intuito de melhorar a tolerância à glicose para evitar, entre outras coisas, doença microvascular que pode levar a patologias renais ou da retina. 
  3. Prevenção terciária: os alvos são os indivíduos que estão desenvolvendo complicações, com o intuito de evitar sequelas de tais complicações. Por exemplo, fazer avaliação de pessoas  com diabetes para detectar retinopatia decorrente desta doença, com o objetivo de utilizar tratamento a laser, para controlar hemorragias da retina e evitar a cegueira. 

Teste diagnóstico e rastreamento (screening)


Um teste diagnóstico é utilizado para identificar um marcador inicial de progressão da doença, para que intervenções possam ser implementadas e interromper o processo de progressão. De uma maneira geral, o rastreamento é feito somente quando as seguintes condições são cumpridas: 1.a doença é uma causa importante de mortalidade e/ou morbidade; 2. existe um teste provado e aceitável para detectar indivíduos em estágios iniciais e modificáveis; 3. existe tratamento seguro e efetivo disponível para prevenir a doença ou suas consequências.


Sensibilidade e Especificidade 


Existem duas probabilidades utilizadas para medir a habilidade de um teste diagnóstico para discriminar, entre os indivíduos, quais desenvolveram e quais não desenvolveram a doença. Essas medidas da validade do teste diagnóstico são determinadas comparando os resultados baseados nos testes diagnósticos com aqueles derivados de um teste mais definitivo, conhecido como “padrão ouro”. A medida para a qual os resultados do teste diagnósticos concordam com aqueles derivados do “padrão ouro” fornece uma medida de sensibilidade e especificidade.

Sensibilidade é a habilidade do teste diagnóstico de dar um resultado positivo naqueles que desenvolveram a doença. É uma porcentagem:

Sensibilidade = [(indivíduos doentes com testes positivos)/(indivíduos doentes)]

Pode parecer que a sensibilidade é tudo que se necessitaria de um teste. Se é possível identificar corretamente todos aqueles que desenvolvem a doença, certamente a sensibilidade é suficiente. Entretanto, é necessário que se incluam como positivos apenas aqueles indivíduos que estão desenvolvendo a doença. Dessa restrição decorre o conceito de especificidade. Especificidade é a habilidade do teste em gerar um resultado negativo quando os indivíduos testados não desenvolvem o desfecho de intereese. Também é expressa por uma porcentagem:

Especifidade = [(indivíduos não doentes com testes negativos)/(indivíduos não doentes)] 

O conceito de sensibilidade e de especificidade de um teste de diagnóstico podem ser entendidas mais facilmente por meio de um exemplo, tal como a prevenção secundária da cegueira pela detecção e tratamento precoce do glaucoma, uma doença que aumenta a pressão intraocular.

O investigador tem o problema de definir o ponto de corte ou a leitura acima da qual um paciente deve ser considerado como possível portador de glaucoma. Fica claro que para detectar todos os olhos glaucomatosos (para atingir 100% de sensibilidade), o ponto de corte deve ser 22 mm Hg. Esse nível resultará na detecção de todo o glaucoma, mas a contrapartida é incluir um número considerável de olhos normais, aqueles não glaucomatosos, de 22 a 27 mm Hg. Isso significa que a especificidade é menor do que 100%.

Agora vamos supor que se deseja excluir todos os olhos normais, ou seja, ter uma especificidade de 100% Claramente, isso implica a definição do ponto de corte em 27 mm Hg, de forma que todos os olhos normais serão excluídos e somente olhos glaucomatosos serão identificados. Entretanto, o compromisso que se faz com isso será que alguns glaucomas serão perdidos, ou seja, a sensibilidade será menor do que 100%.

Na prática, um novo compromisso é assumido, e o ponto de corte é fixado, por exemplo, em 24 mg Hg. Isso significa que a sensibilidade e a especificidade serão menores do que 100% e que os resultados falso-positivos e falso-negativos aumentarão, porém em pequena medida. Fica evidente que a sensibilidade e a especificidade não podem ser 100%, uma vez que as distribuições das populações saudável e doente se sobrepõem, no que diz respeito à variável que está sendo mensurada pelo teste diagnóstico.

Como o resultado do teste diagnóstico depende de somente um ponto de corte, a sensibilidade e a especificidade são medidas invariavelmente relacionadas. Em um único teste, a sensibilidade pode aumentar, mas somente em detrimento da especificidade e, similarmente, a especificidade pode aumentar desde que a sensibilidade diminua. O ponto de corte pode ser movido no território comum compartilhado pelos saudáveis e pelos doentes, e uma relação recíproca existe entre sensibilidade e especificidade.

A configuração real depende de considerações clínicas peculiares da doença em estudo. A história natural da doença e a efetividade da intervenção, cedo ou tarde, devem ser conhecidas.

Veja:
⇒ Se a doença é muito rara, a sensibilidade deve ser alta, então, os poucos casos presentes na população serão perdidos (fenilcetonúria é um exemplo).
⇒ Se a doença tem um período de latência em desenvolvimento, assintomático, mas ainda assim pode ser detectada por um teste diagnóstico e, com isso, melhorar o prognóstico o rastreamento é muito recompensador.
⇒ Se a doença é muito letal e a detecção precoce melhora muito o prognóstico, uma alta sensibilidade é necessária. Os cânceres, em geral, são exemplos nos quais resultados falso-positivos são toleráveis, mas falso-negativos não são.
⇒ Por outro lado, doenças de prevalência alta, cujo tratamento não altera significativamente os resultados, a especificidade deve ser alta, caso contrário a facilidade é oprimida pela demanda de diagnósticos em todos os resultados positivos, sejam eles verdadeiros ou falsos.

Resultados Falso-Positivo e Falso-Negativo (FP e FN) 

O clínico pensa em termos de resultados falso-positivos e falso-negativos. Um teste que é muito sensível tem poucos resultados falso-negativos; isso ocorre quando a sensibilidade se aproxima de 100%. Um teste com alta especificidade terá poucos resultados falso-positivos porque a especificidade é igual; isso ocorre quando a especificidade está próxima de 100%.

Valor Preditivo de um Teste Positivo (VPP), VPN e acurácia 

Observa-se que a proporção de testes positivos que são verdadeiros positivos é uma razão é conhecida como valor preditivo de um teste positivo. O valor preditivo de um teste positivo aumenta com o aumento da sensibilidade e da especificidade, como pode ser esperado. Mas se a prevalência da doença na população aumentar o valor preditivo de um teste positivo também aumenta, e o inverso é verdadeiro. Como populações de alto risco são frequentemente escolhidas para rastreamento, há aumento do rendimento e do valor preditivo de um teste positivo.

Analogamente, é possível calcular o valor preditivo de um teste negativo. Entretanto, uma vez que o principal objetivo de um teste diagnóstico é identificar aqueles indivíduos que têm a doença, essa não é uma medida utilizada frequentemente.

A acurácia é igual a (FP+FN)/total de indivíduos testados

Aceitabilidade 

Aceitabilidade de um teste diagnóstico é uma consideração prática. Por exemplo, um exame do muco cervical e mais aceitável do que um exame mais invasivo. Grupos de alto risco são frequentemente identificados como população alvo para programas de rastreamento; ainda, aceitação é muitas vezes menor entre aqueles com a maior probabilidade para a doença, por exemplo, os muito velhos ou aqueles com baixa escolaridade.

Fonte:  Richard F. Morton, John Richard Hebel, Robert J. McCarter. A Study Guide to Epidemiology and Biostatistics
Jones & Bartlett Learning, 2005 - 208 páginas