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terça-feira, 19 de maio de 2015

Caso - Controle

Fontes: Susan Lewallen and Paul Courtright (1998) Epidemiology in Practice: Case-Control Studies. Community Eye Health. 1998; 11(28): 57–58; Melanoma uvealEndoftalmiteúlceras da córnea

Estudos de caso-controle são desenhados para permitir determinar se uma exposição está associada com um desfecho (i.e., doença ou condição de interesse).

Teoricamente, pode ser explicado assim:

(i) O pesquisador identifica os casos (um grupo que sabidamente tem a doença) e identifica também os controles (um grupo que sabidamente não tem a doença).
(ii) Procura-se saber, de cada indivíduo, se houve exposição ao(s) agente(s) de interesse, comparando a frequência de exposição entre casos e controles.

Por definição, um estudo de caso controle é sempre retrospectivo, porque tem início com um desfecho de interesse e o desenho desse tipo de pesquisa requer que se faça uma busca para investigar a exposição, que é necessariamente anterior ao desfecho. Quando os sujeitos são separados pelo investigador em seus respectivos grupos, o desfecho de cada sujeito já é conhecido pelo investigador. Isto, que acaba de ser explicado, e não o fato de que o investigador se utiliza de dados previamente coletados, é o que faz o estudo ser retrospectivo.


-- Vantagens de um estudo de caso controle

Comparativamente a outros desenhos de estudos, costumam ser rápidos, baratos e de fácil execução. São apropriados para (1) a investigação de surtos; (2) estudo de doenças ou desfechos raros.


Um exemplo da situação (1) seria um estudo de endoftalmite subsequente à cirurgia ocular. Quando há um surto de endoftalmite posterior à cirurgia (em um hospital por exemplo), as respostas devem ser obtidas rapidamente. Um exemplo da situação (2) seria um estudo de fatores de risco para melanoma uveal ou úlceras da córnea.

O caso controle tem início com um grupo de pessoas que tem a doença ou o desfecho em estudo. Nesse desenho de estudo é possível obter um número de pessoas suficiente com uma doença rara. Isso ocorre porque é feito um esforço deliberado para tal. A necessidade de se produzir resultados rápidos ou investigar desfechos raros pesa mais na decisão do pesquisador em conduzir este tipo de estudo, frente às limitações que apresenta. Dada a sua eficiência, pode ser ideal para investigações preliminares de um fator de risco suspeito para uma condição comum e as conclusões podem justificar um estudo longitudinal posterior, que é mais caro e mais demorado. 

-- Os casos


Considere-se uma situação em que um grande número de casos de endoftalmite pós operatória tenha ocorrido em poucas semanas. O grupo caso consistiria em todos os pacientes no hospital que desenvolveram endoftalmite pós-operatória durante um período pré-definido. A definição de um caso precisa ser específica: (i) dentro de que período de tempo após a operação o desenvolvimento de endoftalmite será chamado caso? um dia, uma semana ou um mês? (ii) endoftalmite necessita exame microbiológico, ou será um diagnóstico clínico aceitável? Nesse aspecto, se o critério for clínico, deve ser identificado em grande detalhe, pois, veja: como a inflamação estéril ser diferenciado de endoftalmite?



Não há respostas "certas" para estas perguntas, mas eles devem ser respondidas antes do estudo começar. No final do estudo, as conclusões serão válidas apenas para os pacientes que têm o mesmo tipo de endoftalmite, e essa definição precisa estar muito clara.


-- Os controles


Os controles devem ser escolhidos de tal forma que sejam semelhantes em muitos aspectos aos casos. Os fatores (por exemplo, idade, sexo, tempo de internação) escolhidos para definir como serão os controles devem estar claros. O grupo controle selecionado deve estar em risco semelhante de desenvolver o resultado; não seria apropriado comparar um grupo de controles que tiveram lacerações traumáticas da córnea com casos submetidos à cirurgia eletiva intraocular. No exemplo, controles poderiam ser pacientes submetidos a cirurgia eletiva intraocular durante o mesmo período de tempo.


-- Tornar comparáveis casos e controles

Embora os controles devam ser como os casos no maior número de maneiras possíveis, essa decisão é deve ser razoável. Essa tarefa de encontrar controles comparáveis pode não ser fácil. Deve-se lembrar de que, variáveis utilizadas para tornar semelhantes (comparáveis) casos e controles não podem mais ser analisadas.

Veja o exemplo de tornar controles comparáveis para o tipo de cirurgia ocular. Por exemplo, se se utiliza-se o tipo de cirurgia intra-ocular (por exemplo, implante de lente intraocular secundária) como variável que tornaria comparáveis casos e controles (isso significaria incluir a mesma percentagem de controles que os casos que tiveram a cirurgia de implante de lente intraocular secundária, num estudo de caso-controle não pareado), não seria possível analisar implantação de lente intraocular secundária como um fator de risco potencial para a endoftalmite.

-- Coleta de Dados

Depois de definir claramente casos e controles, é necessário proceder à coleta dos dados; os mesmos dados devem ser obtidos da mesma forma em ambos os grupos. Deve-se tomar cuidado para ser objetivo na busca de fatores de risco do passado, ou o estudo pode sofrer um viés por parte do pesquisador.

Muitas vezes será necessário entrevistar pacientes sobre os fatores potenciais de exposição do passado (tais como história de tabagismo, dieta, uso de medicamentos oculares tradicionais, entre outros). Pode ser difícil para algumas pessoas lembrar todos esses detalhes com precisão. Além disso, os pacientes que têm o resultado (casos) são mais propensos a examinar o passado, lembrando-se de detalhes de exposições negativas de forma mais clara do que os controles, que não deram muita importância para isso por não terem o desfecho. Isto é conhecido como viés de memória. Qualquer medida que o pesquisador possa fazer para minimizar este tipo de viés irá reforçar a validade interna do o estudo.

-Análise; Odds Ratio; Intervalos de confiança

Nossa mente nos manda calcular a frequência de exposição entre casos e entre controles. Sim, você pode fazer isso. Mas, não pode usar isso para calcular a magnitude da exposição entre casos comparativamente à magnitude da exposição entre controles. Isto ocorre porque estudos de caso-controle não podem fornecer qualquer informação sobre a incidência ou prevalência de uma doença, porque não há medições feitas em uma amostra de base populacional - foi o pesquisador que determinou o número de casos e controles e priori e, então, isso não é um resultado do estudo.


--Análise; Odds Ratio; Intervalos de confiança


Como uma medida da força da associação entre a exposição e o desfecho, o que é apropriado para estudos de caso-controle é a razão de chances (Odds Ratio). Para uma explicação excelente sobre chances e razão das chances veja: Medicina Baseada em evidência Razão das Chances. Uma razão de probabilidades é o razão das probabilidades de uma exposição no grupo de caso para as probabilidades de uma exposição no grupo de controle. Se estivermos avaliando um desfecho específico (doença) e uma exposição específica (poluição), podemos obter o seguinte:

total de casos: 25
total de controles: 125
total de casos expostos: 15
total de controles expostos: 50

probabilidade de exposição em casos: (15/25)
probabilidade de não exposição em casos: (10/25)
probabilidade de exposição em controles: (50/125)
probabilidade de não exposição em controles: (75/125)

chance entre expostos = (15/25)/(10/25) = 1,5
chance entre não expostos = (50/125)/(75/125) = 0,67

Odds ratio (razão das chances) = 1,5/0,67 = 2,25

Ou, simplesmente, (15/10)/(50/75) = 2,25

A chance de exposição entre casos é igual a 2,25 vezes a chance de exposição entre controles.

É importante para calcular um intervalo de confiança para cada razão das chances. Um intervalo de confiança que inclui o valor das chances igual a 1,0 significa que a associação entre a exposição e o desfecho poderia ter sido encontrada por acaso e que a associação não é estatisticamente significativa.


-- Fatores de Risco e Amostragem; Seleção adequada de controles


Outro uso para estudos caso-controle está a investigar fatores de risco para uma doença rara, como o melanoma uveal. Neste exemplo, os casos poderiam ser recrutados por meio de registros hospitalares. Os pacientes que necessitam atendimento hospitalar, no entanto, podem não ser representativos da população de pessoas com melanoma. Se, por exemplo, as mulheres são menos comumente internadas em hospital, pode ocorrer viés na seleção dos casos.

A seleção de um grupo controle adequado necessita muita cautela e pode apresentar problemas. Uma fonte frequente de controles são pacientes do mesmo hospital que não têm a doença de interesse. No entanto, pacientes internados, muitas vezes, não representam a população em geral, pois provavelmente são mais propensos a sofrer problemas de saúde e têm acesso ao sistema de saúde comparativamente à população geral. Uma alternativa pode ser recrutar controles da comunidade: por exemplo, as pessoas residentes nos mesmos bairros como os casos. Assim, cuidados devem ser tomados com a amostragem para garantir que os controles representem um perfil 'normal' ou 'médio' de risco. Às vezes, para obter essa 'média', os pesquisadores podem recrutar vários grupos controle. Estes poderiam incluir um conjunto de controles da comunidade e um conjunto de controles hospitalares.

-- Fatores de confusão

O pareamento de casos e controles tende atenuar efeitos causados por variáveis ​​de confusão. Uma variável de confusão é aquela que está associada com a exposição e está associada causalmente com o resultado. Se a exposição a toxina 'X' é associada ao melanoma, mas a exposição a toxina 'X' está também associada com a exposição à luz solar (assumindo que a luz solar é um fator de risco para o melanoma), neste caso, a luz solar é um fator de confusão potencial da associação entre a toxina 'X ' e o melanoma. Pode-se parear casos e controles por categorias de horas diárias de exposição solar.

-- Comentários

Estudos de caso-controle podem indicar forte evidência de uma associação, mas não demonstram o nexo de causalidade. Considere-se um estudo caso-controle destinado a avaliar uma associação entre o uso de medicamentos tradicionais oculares (MTO) e úlceras de córnea. MTO pode causar úlceras da córnea, mas também é possível que a presença de uma úlcera da córnea leve algumas pessoas a utilizar MTO. Ou seja, a relação temporal entre a suposta causa e efeito não pode ser determinada por um estudo de caso-controle.


-- Vantagens e Desvantagens





Vantagens

Desvantagens
  • relativamente mais rápido
  • relativamente mais barato
  • eficiente para estudos de desfechos raros
  • permite estudar múltiplas exposições
  • usualmente requer amostras menores
  • não se pode analisar incidência ou prevalência
  • sujeito a vieses de memória
  • difícil se os registros forem inadequados ou não confiáveis
  • a seleção de controles pode ser complicada e difícil.




Fontes: Susan Lewallen and Paul Courtright (1998) Epidemiology in Practice: Case-Control Studies. Community Eye Health. 1998; 11(28): 57–58; Melanoma uvealEndoftalmiteúlceras da córnea

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Estudos Ecológicos

A maioria das investigações epidemiológicas que investigam a etiologia das doenças são observacionais. Estudos ecológicos também são estudos observacionais. Em estudos ecológicos a unidade de observação é a população ou comunidade.

As taxas, proporções ou medidas síntese de interesse (desfechos - em geral, a doença em estudo) e as medidas de exposições pertinentes são medidas em cada população de interesse. A relação entre a exposição e o desfecho é, então, examinada.

Muitas vezes, a informação sobre a doença e a exposição é captada a partir de estatísticas publicadas e, portanto, não costuma ser um estudo caro ou demorado. Ou seja, costumam ser baratos e rápidos.

O que se deseja comparar com os estudos ecológicos?

Comparações geográficas


Uma abordagem comum é procurar correlações geográficas entre a incidência da doença ou mortalidade e a prevalência de fatores de risco. Por exemplo, estabeleceu-se a correlação entre a mortalidade por doença cardíaca coronariana em regiões da Inglaterra e do País de Gales com a mortalidade neonatal ocorrida nos mesmas regiões nos 70 anos anteriores. Esta observação deu origem à hipótese de que a doença cardíaca coronariana pode resultar do desenvolvimento prejudicado dos vasos sanguíneos e de outros tecidos na vida fetal e infância.

Muitas observações úteis surgiram a partir de análises geográficas, mas é preciso cuidado na sua interpretação. Um dos principais problemas é a falácia ecológica, que é o equívoco em inferir para o indivíduo o que é válido apenas para o grupo.

Um exemplo clássico de estudo ecológico e de possibilidade de falácia ecológica: Emile Durkheim, no século XIX, descreveu uma associação ecológica positiva entre a proporção de indivíduos de religião Protestante e as taxas de suicídio, tendo por base o estudo de várias províncias da Prússia. Durkheim concluiu, deste modo, que os Protestantes tinham maior probabilidade de se suicidarem do que os Católicos. Apesar da conclusão ser factível, a inferência causal não é, do ponto de vista lógico, correta, pois poderiam ter sido os Católicos em províncias predominantemente Protestantes a cometer os suicídios, e a metodologia ecológica não permite discernir qual das duas hipóteses está certa.


Mais problemático, no entanto, são os preconceitos que podem ocorrer se a averiguação de doença ou de exposição, ou ambos, difere de um lugar para outro. Por exemplo, uma pesquisa de distúrbios de volta encontrada uma maior incidência de consulta de clínica geral para dor nas costas no norte do que no sul da Grã-Bretanha, o que pode sugerir uma maior exposição a algum agente causador ou atividade no norte. Investigação mais próxima, no entanto, indicou que a prevalência de sintomas de volta foi semelhante em ambas as regiões e que era hábitos de consulta dos pacientes que variaram. Assim, neste exemplo, correlações com base em taxas de consulta de clínica geral seria muito enganador. Um estudo com base em taxas de admissão ao hospital para a úlcera péptica perfurada provavelmente seria confiável quanto nos países ricos quase todos os casos vai chegar ao hospital e ser diagnosticada. Por outro lado, a averiguação isenta de perturbações tais como a depressão ou doença de Parkinson pode ser difícil sem uma pesquisa especialmente concebidos. Quando houver dúvida sobre a uniformidade da apuração, pode ser necessário para explorar a extensão de qualquer eventual influência de um exercício de validação.


Tendências temporais


Muitas doenças mostram flutuações notáveis ​​na incidência ao longo do tempo. As taxas de infecção aguda podem variar sensivelmente ao fim de alguns dias, mas as 'epidemias' de doenças crônicas, como câncer de pulmão e doença cardíaca coronariana podem evoluir em um espaço temporal de décadas.

Se acreditamos que tendências seculares na incidência da doença se correlacionam com mudanças no ambiente de uma comunidade ou no modo de vida, então, por causa disso, as tendências podem fornecer pistas importantes para a etiologia das doenças.

Assim, (i) a crescente incidência de melanoma na Grã-Bretanha tem sido associada com uma maior exposição à luz solar (que se referem à mudanças no vestuário e férias em países com exposição solar ampla); (ii) sucessivos aumentos e quedas na mortalidade por câncer de colo uterino têm sido relacionadas com diferentes níveis de atividade sexual mais frequente com múltiplos parceiros, como evidenciado por taxas de notificação para a gonorreia.

Assim como os estudos geográficos, análises de tendências seculares podem ser influenciadas por diferenças no diagnóstico da doença. Como os serviços de saúde têm melhorado, critérios diagnósticos e técnicas mudaram. Além disso, enquanto em estudos geográficos as diferenças são acessíveis ao inquérito em curso, as mudanças seculares são mais sensíveis às diferenças em métodos diagnósticos e aos processos de registros de dados, que mudam com o tempo. Essas possibilidades de erros precisam ser avaliadas em inferências feitas com base em estudos ecológicos temporais.


Ocupação e classe social


As outras populações para as quais as estatísticas sobre incidências de doença e sobre mortalidade estão prontamente disponíveis são grupos profissionais e socioeconômicos. Assim, como exemplo, a mortalidade por pneumonia é mais comum em soldadores do que em outros grupos profissionais.

O gradiente de classe social acentuada na mortalidade por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma evidência que esta doença se correlaciona da pobreza por meio, talvez, da habitação que tem uma influência importante sobre a doença.

Fonte:
http://www.bmj.com/about-bmj/resources-readers/publications/epidemiology-uninitiated/6-ecological-studieshttp://stat2.med.up.pt/cursop/print_script.php3?capitulo=desenhos_estudo&numero=8&titulo=Desenhos%20de%20estudo

sábado, 16 de maio de 2015

MAIS 04 (quatro) EXERCÍCIOS DESENHOS DE ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO (com comentários)

Estudo Transversal
1-O estudo transversal permite obter um retrato de como diversas variáveis estão relacionadas em um determinado momento. Assim, uma população pode ser estudada no momento do diagnóstico de uma doença, o que facilita a identificação dos indivíduos afetados pela doença e também dos não afetados.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem /

Riso Relativo
2-Risco relativo é a razão entre a incidência de eventos, e é expressa em porcentagem, como, por exemplo, a razão entre a letalidade de pacientes não tratados por um dado medicamento (grupo-controle) e aqueles que foram tratados (intervenção).
C) Certo
E) Errado
Fonte: CESPE/2008/Tribunal de Justiça Distrito Federal e Território/Analista Judiciário Enfermagem
Comentário: questão muito confusa. prefiro não responder...

Estudo Caso-Controle
3-As vantagens dos estudos do tipo caso-controle incluem o fato de exigirem um número pequeno de participantes, a facilidade em obter dados passados e a possibilidade de inclusão de casos novos, o que facilita o alcance do tamanho da amostra.
C) Certo
E) Errado
Fonte: CESPE/2008/Tribunal de Justiça Distrito Federal e Território/Analista Judiciário Enfermagem
Comentário: o estudo caso-controle é essencialmente retrospectivo. é inaceitável a inclusão de casos novos...

Estudo Caso-Controle
4-Leia a afirmativa abaixo e responda a qual dos estudos epidemiológicos ela se refere.
- A medida de associação mais utilizada é a odds-ratio.
- Estudo observacional, longitudinal, retrospectivo.
a) Coorte.
b) Caso-controle. 
c) Transversal.
d) Experimental.
e) Descritivo.
Fonte: http://www.grupoidealbr.com.br/admin/upload_material/tiposdeestudos_mariana.pdf
Comentário: um pouco dúbio. Não se enfatiza nas aulas que o caso-controle é um estudo longitudinal retrospectivo (mas ele é). A medida correta é sempre a odds (e não a mais utilizada). Escolho o caso-controle pela lógica. ótima questão para se pensar, péssima questão para um concurso ou prova...

Cinquenta e Quatro (54) Exercícios sobre Medidas de Associação / Desenhos de Estudo

Bom estudo!!!

(1) Um pesquisador está estudando 200 crianças, das quais 100 foram à creche e 100 não. Das que foram à creche, 90 ficaram resfriadas. Das que não foram, 75 ficaram resfriadas. Qual a odds de ter um resfriado para aqueles na creche, em comparação  à odds daqueles que não estão na creche?
a) (90 * 25) / (10 * 75)
b) 90 / 165
c) 25 / 35
d) (90 / 100) - (75 / 100)
e) (90 / 100) / (75 / 100)
A resposta é a letra a. A odds de ter resfriado entre os que foram à creche à 90/10; já entre àqueles que não foram à creche à igual a 75/25. Ou seja, 9/3 = 3. A chance de ter resfriado entre os que foram à creche é o triplo daquelas que não foram.

(2) Um pesquisador está tentando determinar os fatores de risco para a bulimia. A amostra selecionada foi de 50.000 adolescentes, acompanhados ao longo de 5 anos para ver quais desenvolveriam a doença. Qual tipo de estudo é esse?
a) Estudo de coorte
b) Estudo de caso-controle
c) Ensaio clínico
d) Estudo de caso
e) Meta-análise
A resposta é a letra a. O enunciado explicita o acompanhamento e a observação do desenvolvimento da doença ao longo do tempo.

(3) Um grupo de pessoas saudáveis é acompanhado por um período de vários anos para observação acerca do desenvolvimento de uma doença. O estudo é observacional e prospectivo. Os resultados são descritos em termos de risco relativo. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Meta-análise
c) Coorte
d) Estudo de caso
e) transversal
Estudo de coorte, letra c. É o único estudo observacional capaz de permitir o estudo do desenvolvimento de uma doença de uma população saudável exposta a um fator de risco/exposição.

(4) A pesquisa de qualidade é fundamental para os profissionais da saúde, porque fornece um alicerce forte para a avaliação crítica da atividade prática em relação aos achados de pesquisa e para a promoção de avanços embasados em evidências. Em relação aos tipos de estudos metodológicos da pesquisa em saúde e enfermagem, assinale a opção correta.
a) No estudo caso-controle ​ou estudo de grupos, de agregados, estatísticos ou comunitários​, a pesquisa é realizada por meio de estatísticas, sendo a unidade de observação e análise constituída de grupos de indivíduos, e não, de indivíduos isolados.
b) No estudo ecológico, parte-se do efeito, em busca das causas, comparando- se, em relação à exposição prévia, grupos de indivíduos com e sem determinado agravo à saúde, de modo que possa ser testada a hipótese de a exposição a determinados fatores de risco ser causa contribuinte da doença. 
c) No estudo transversal, parte-se da causa, em busca dos efeitos, identificando-se um grupo de pessoas e coletando-se a informação pertinente sobre a exposição de interesse, de modo que o grupo possa ser acompanhado; em seguida, verificam-se os indivíduos que desenvolveram e os que não desenvolveram a doença em foco e a relação dessa exposição prévia com a ocorrência da doença.
d) No estudo de coorte, realiza-se a investigação para determinar a prevalência, a fim de se examinar a relação entre eventos em um determinado momento, coletando-se simultaneamente os dados sobre causa e efeito.
e) No estudo randomizado, os participantes são alocados aleatoriamente em grupos denominados grupos de estudo (experimental) e de controle, sendo os primeiros submetidos a determinada intervenção, e os segundos, não.
Resposta: A letra a se refere ao estudo ecológico; a letra b ao caso controle; a letra c, ao estudo de coorte; a letra d, ao estudo transversal; a letra e é a correta.
Fonte: CESPE / 2012 / Tribunal de Justiça / Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade: Enfermagem


(5) Um grupo de 500 pessoas é observado em um dado momento e mede-se a prevalência de uma doença. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Meta-análise
c) Coorte
d) Ecológico
e) Transversal
Estudo transversal, letra e. Lembre-se de que este estudo também é chamado estudo de prevalência. é o único destinado a calcular prevalência.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(6) Um pesquisador atende um paciente com uma doença muito rara e escreve um artigo sobre este paciente, especialmente sobre a sua história, aspectos físicos e curso clínico. Que tipo de estudo é esse?
a) Caso-controle
b) Ensaio clínico randomizado
c) Coorte
d) Estudo de caso
e) transversal
Estudo de caso, letra d. Trata-se de apenas um paciente, sem grupo para comparação. É um estudo de caso descritivo.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(7) Você está lendo um artigo com delineamento caso-controle no New England Journal of Medicine. O que pode ser determinado com base nesse tipo de estudo?
a) Incidência da doença em estudo
b) Risco atribuível
c) Odds ratios associadas a várias exposições de interesse
d) Prevalência da doença
e) Risco relativo
letra c. nem incidência nem prevalência servem; risco tem relação com incidência portanto não serve também.
Fonte: Heston TF. USMLE Biostatistics and Epidemiology (2011)

(8) Assinale a opção correta com relação ao inquérito realizado por equipe de saúde da família para conhecer, na localidade em que atua, casos de hipertensão.
a) Obtêm-se resultados que possibilitam testar hipóteses de associação entre causa e efeito. 
b) É possível estimar a prevalência do agravo de interesse, avaliando-se os indivíduos que participam do estudo em um único momento. 
c) Os indivíduos são avaliados inicialmente e acompanhados permanentemente, para que se obtenham medidas de incidência do agravo. 
d) Os indivíduos são avaliados em um único momento, no início do estudo, para a determinação da incidência do agravo. 
e) Esse estudo possibilita a estimativa da prevalência do agravo de interesse, excluídos os indivíduos que apresentem, desde o início, a característica de interesse.
letra b. Inquéritos são estudos transversais.

(9) A determinação da diferença entre a incidência de câncer de pulmão em fumantes e a incidência desse tipo de câncer em não fumantes corresponde ao cálculo de 
a) Risco relativo.
b) Odds ratio
c) Razão de riscos
d) Risco atribuível
e) Risco populacional. 
letra d. RA=(incidência em expostos - incidência em não expostos)

(10) O risco relativo do grupo profilático em relação ao grupo que recebeu tratamento para doença osteomuscular foi igual a 5,3 (IC 95% 0,66-41,5).  Este resultado é significativo? Justifique.
Resposta: Esse resultado não é significativo, pois apesar da estimativa pontual ser igual a 5,3, a estimativa intervalar abrange o valor 1, ou seja, o intervalo passa pelo valor 1. 

(11) Em estudo transversal obteve-se uma medida de associação comparando indivíduos com esquizofrenia e indivíduos sem esquizofrenia quanto à posse de animal de estimação. Qual era essa medida de associação?
a) Odds ratio
b) Diferença de risco
c) Risco relativo
d) Incidência
e) Prevalência
Resposta: Odds ratio é a medida possível para o estudo transversal dentre as disponíveis. Prevalência não é medida de associação. Diferença de risco e risco relativo são medidas de magnitude do estudo de coorte. Incidência não é possível ser calculada no estudo transversal e nem é medida de associação. 

(12) Quais das seguintes é uma vantagem do estudo de coorte prospectivo?
a) Barato e rápido
b) Capaz de estabelecer sequência temporal
c) Adequado para desfechos raros que levam um longo tempo para se desenvolver
d) Indivíduos são menos propensos a serem perdidos ao longo do estudo
Resposta: letra b

(13) Quais das seguintes assertivas são verdadeiras se um resultado é significativo ao nível de 5%?
a) valor de p > 0,05
b) valor de p < 0,05 e o intervalo de 95% de confiança contém o valor da hipótese nula.
c) intervalo de 95% de confiança contém o valor da hipótese nula
d) intervalo de 95% de confiança não contém o valor da hipótese nula
Resposta: letra d

(14) Investigadores formularam perguntas e devem selecionar o desenho de estudo mais adequado para investigá-las. Utilize (a) para caso controle; (b) estudo ecológico; (c) estudo seccional; (d) ensaio randomizado controlado; (e) estudo de coorte:
a) Povos que consomem vinho consomem também alimentos mais saudáveis, comparativamente àqueles que compram cerveja (b)
b) Miopia diagnosticada na infância afeta a interação social na vida adulta (c)
c) A vitamina C consumida logo após a concepção previne o aborto espontâneo  (e)
d) Warfarin é melhor que aspirina na prevenção de derrames entre pessoas com fibrilação atrial (d)
e) Transtorno de humor afeta a chance de desenvolver um aneurisma cerebral (a)

(15) Quais dos seguintes critérios não é essencial na condução de uma triagem em larga escala para controle de uma doença?
a) A prevalência da doença deve ser elevada na população a ser analisada
b) Deve haver um prognóstico favorável para o tratamento precoce da doença
c) A doença deve ser de notificação compulsória
d) A doença deve ser um problema sério de saúde pública
Resposta: letra c

(16) Relacione a situação descrita com o desenho de estudo específico por meio do código apropriado, a saber: (1) coorte prospectiva; (2) ensaio clínico; (3) caso controle; (4) estudo seccional; (5) coorte retrospectiva. Em termos de tempo, o momento A precede o momento B e o momento B precede o momento C.
(5) - Seleciona no tempo C o grupo de estudo exposto no tempo A.
(3) - Seleciona o grupo de estudo no tempo B com base no status da doença e pergunta ao participante sua exposição no tempo A.
(1) - No tempo A seleciona o grupo de estudo de acordo com o status da exposição e acompanha o grupo até o tempo C
(2) - Designa a exposição no tempo A e acompanha o participante até o tempo C
(4) - Mede a exposição e a doença simultaneamente no tempo C

(17) Em um estudo de coorte retrospectivo sobre o consumo de café e doença coronariana, 5 xícaras ou mais estiveram associadas a um risco relativo igual a 1,5 (IC95%=1,2 ; 1,8). Quando os dados foram estratificados segundo hábito tabágico, os seguintes resultados foram obtidos:
Para Fumantes: RR=1,1 (IC95%=0,8; 1,6)
Para Não Fumantes RR=0,8 (IC95%=0,6; 1,2)
Estes resultados, muito provavelmente, são um exemplo de:
a) Confusão
b) Erro aleatório
c) Erro de memória, pois os tabagistas se lembram mais do consumo de café do que os não tabagistas
d) Viés de classificação da doença coronariana
e) Viés de seleção com relação ao consumo de café
Resposta: letra a

(18) Quais das seguintes é uma vantagem referente ao delineamento de caso-controle?
a) O viés quanto à avaliação da exposição ao fator de interesse é minimizada.
b) Múltiplas doenças podem ser facilmente estudadas.
c) A dependência na memória dos sujeitos é minimizada.
d) É possível determinar a real incidência da doença
e) Pode ser utilizado para estudar a etiologia de uma doença rara
Resposta: letra e

(19) Com base em um ensaio clínico um grupo de pesquisadores chegou ao seguinte resultado: ao comparar uma nova droga com o placebo, a nova droga obteve uma porcentagem de sucesso mais elevada do que o placebo. O valor do Qui-Quadrado de Pearson foi igual a 4,72 (p<0,05). Conclui-se:
a) Menos do que 1 em 20 pacientes vão se beneficiar da nova droga
b) A chance que um indivíduo não seja beneficiado pela nova droga é menor do que 0,05
c) Se a droga for efetiva, a probabilidade de obter o resultado encontrado é menor do que 1 em 20.
d) Se a droga não for efetiva, a probabilidade de obter o resultado encontrado é menor do que 0,05.
Resposta: letra d

(20) Para ser causalmente associada com a doença, o fator etiológico deve cumprir os seguintes critérios (indicar todas que se aplicam) 
a) O fator está presente em todos os indivíduos com a doença. 
b) A eliminação do fator reduz o risco da doença. 
c) A exposição a este fator deve preceder o desenvolvimento da doença. 
d) O fator é mais prevalente entre aqueles com a doença do que entre aqueles sem a doença. 
A) Apenas (a) e (b) estão corretas
B) Apenas (a) e (c) estão corretas
C) Apenas (a), (b) e (c) estão corretas
D) todas estão corretas
E) Apenas (b), (c) e (d) estão corretas
Resposta: Esta questão se refere ao método epidemiológico. Como epidemiologia não é matemática e nem é exata, (a) está incorreta, pois o fator pode estar ausente em indivíduos com a doença. Letra (E) é a resposta

(21) No início do seguimento de uma coorte a exposição é determinada com a ajuda de um questionário. Não há perda de seguimento. No final do acompanhamento a incidência de uma doença de interesse é conhecida para expostos e não expostos. O odds ratio é usado como medida de associação. Qual comentário é mais adequado? 
A) Os investigadores poderiam ter calculado a incidência entre os expostos 
B) O OR não tem interpretação útil. 
C) Os investigadores deveriam ter calculado a taxa de incidência entre os não expostos. 
D) Nesses casos, o OR se aproxima da taxa de incidência. 
E. A melhor medida seria o RR, pois se aproxima mais do diferencial de riscos.
Resposta: Letra (E) é a resposta. Essa questão é excelente pois mostra que a medida do risco é conceitualmente melhor do que a medida do Odds e deve ser usada sempre que possível.

(22) O risco relativo não pode ser calculado diretamente em estudos tipo caso-controle, porque os casos e os controles são selecionados previamente pelo investigador. Isso torna a frequência da doença na amostra estudada diferente da frequência real na população.
A) Falso
B) Verdadeiro
Adaptado de:Caso-controle na pesquisa médica

(23) Qual é a fração de casos com a doença entre os expostos que é atribuível à exposição, se o número de expostos é 16; o de não expostos é 22; nove expostos tiveram a doença e a incidência da doença é igual a 35%?
A) 0,56 
B) 0,68 
C) 0,18 
D) 0,34 
E) 0,35  
Resposta: Incidência entre expostos = 9/16=0,56; Total da amostra = 16+22 = 38; Pessoas doentes na amostra = 38 (0,35)=13; Incidência entre não expostos = (13-9)/22 = 0,18; RA% = (0,56 - 0,18)/0,56 = 0,68. 68% da incidência entre expostos é decorrente da exposição.

(24) Em um estudo de coorte, o risco relativo para a DPOC para os fumantes moderados versus não-fumantes foi de 4. Para os fumantes pesados em comparação aos não-fumantes, o risco relativo foi de 10. Qual teria sido o risco relativo para a DPOC neste estudo, se os fumantes pesados tivessem sido usados como a categoria de referência? 
A) 0,1 para não-fumantes e 0,4 para o tabagismo moderado 
B) 0,2 para não-fumantes e 0,6 para o tabagismo moderado 
C) 4 para não-fumadores e 10 para o tabagismo pesado 
D) não pode ser calculado com os dados disponíveis 
Resposta: Incidência entre fumantes moderados em relação à incidência entre não fumantes = 4/1; Incidência entre fumantes pesados em relação à incidência entre não fumantes = 10/1; Incidência entre não fumantes em relação à incidência entre fumantes pesados = 1/10 = 0,1; se a relação de valores anterior era 1:4:10, a relação agora é 0,1:x:1. Logo x=0,4. Resposta é a letra A.

(25) O que é uma desvantagem de um estudo de coorte em comparação a um ensaio clínico? 
A) A validade externa é menor 
B) É mais propenso a confusão 
C) É menos apropriado para o estudo da evolução clínica 
D) Os participantes podem sair do estudo durante o seguimento

(27) O Estudo de Framingham, no qual um grupo de moradores foram seguidos desde a década de 1950 para identificar a ocorrência e fatores de risco para doenças do coração, é um exemplo de que tipo de estudo? 
A. coorte experimental
B. caso-controle observacional
C. coorte observacional 
D. ensaio clínico randomizado 
E. observacional e transversal 

(28) Pesquisadores, prospectivamente, seguiram um grupo de 100 vegetarianos e 200 não-vegetarianos. Após 30 anos, 8 vegetarianos e 20 não-vegetarianos desenvolveram doenças cardíacas. O intervalo de 95% de confiança variou de 0,6 a 0,9 e se refere à comparação entre vegetarianos e não-vegetarianos. Qual a interpretação?
A. Os vegetarianos eram 80% menos propensos a desenvolver doenças cardíacas durante 30 anos de seguimento em comparação com os não-vegetarianos. 
B. Os pesquisadores deveriam ter calculado o odds ratio, em vez de um risco relativo. 
C. O risco relativo obtido não é estatisticamente significativo, pois o intervalo de confiança de 95% contém o valor 0,8. 
D. Pode-se afirmar que os vegetarianos eram 20% menos propensos a desenvolver doenças cardíacas durante 30 anos de seguimento em comparação com os não-vegetarianos. 
Resposta: O intervalo de confiança revela que a estimativa intervalar situa-se entre 0,6 e 0,9, indicando que a propensão dos vegetarianos era entre 10% e 40% menor. O intervalo não passa pela hipótese nula, revelando significância estatística ao nível de 0,05. A estimativa pontual indica que risco 20% menor. Letra D

(29) Em um estudo de base hospitalar da associação entre o consumo de café e a ocorrência de acidente vascular cerebral, um grupo de pacientes hospitalizados depois de sofrer um acidente vascular cerebral foi comparado a uma população controle hospitalizada por outros motivos. Os pacientes internados por acidente vascular cerebral reportaram consumir muito mais café do que os controles. Todas as seguintes afirmações representam possíveis explicações para a associação positiva observada entre o consumo de café e derrame, EXCETO: 
A. Consumidores de grandes quantidades de café também podem ser fumantes pesados, e o fumo possivelmente seria o fator causal relevante 
B. Os pacientes restringiram a sua ingestão de café, depois de sofrer um acidente vascular cerebral. 
C. O fato dos controles hospitalizados consumirem menos café, em média, do que os indivíduos da população em geral, resultaria em uma associação espúria entre o consumo de café e acidente vascular cerebral. 
D. O consumo excessivo de café pode causar um acidente vascular cerebral.
   
(30) Um epidemiologista quer avaliar o efeito de consumo de chá sobre a pressão arterial. Ele decide fazer um estudo de intervenção. Qual das seguintes medidas não aumenta a validade interna do estudo? 
A. A monitorização cuidadosa da pressão arterial durante o estudo 
B. A inclusão de um grupo controle 
C. A randomização 
D. A seleção aleatória de participantes da população geral
Resposta: A seleção aleatória aumenta a validade externa e a capacidade de generalização. Letra D.

(31) Atualmente, os estudos epidemiológicos têm contribuído na área da medicina do trabalho, quando aplicado com rigor científico seu conteúdo metodológico, para estabelecer as prioridades de gestão em saúde ocupacional. Vários tipos de estudos podem ser realizados. Os estudos
a) observacionais são aqueles que têm por base a observação da magnitude da ocorrência de determinados eventos com interferência direta sobre o objeto de estudo.
b) observacionais podem ser categorizados como descritivos e analíticos. Os analíticos também se subdividem em estudos ecológicos e experimentais.

c) descritivos são subdivididos em estudos seccionais e tipo caso-controle.
d) tipo coorte constituem uma subdivisão dos estudos descritivos. Neles, acompanha-se um grupo de indivíduos sadios, expostos e não expostos a um fator em estudo, e observa-se quem irá ou não desenvolver um determinado evento.
e) ecológicos, também chamados correlacionais, têm por alvo uma população
determinada na qual se procura identificar e quantificar a existência de um evento específico. Fazem parte da subdivisão dos estudos analíticos que é uma categoria dos estudos observacionais.
Resposta: Letra e. É a única CORRETA.
Fonte: FCC / 2012 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Medicina do Trabalho 

(32) Em uma linha de produção, 100 pessoas, das quais 30 tinham rinite alérgica, trabalhavam em um ambiente onde existia poeira. Outras 200 pessoas, das quais 20 tinham rinite alérgica, trabalhavam em um ambiente sem esse agente de risco. Logo, o Risco Relativo de ter rinite alérgica no ambiente com poeira é
A) 3
B) 2,5
C) 2
D) 1,5
E) 1
Resposta: Letra a. (30/100)/(20/200) = 3/1 = 3
Fonte: / 2012 / Caixa Econômica Federal / Médico do Trabalho /

(33) Considerando o tabagismo e o câncer de pulmão, tem-se evidências científicas dos seguintes critérios de causalidade: consistência da associação, temporalidade, efeito dose-resposta e plausibilidade biológica.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Letra C
Fonte: CESPE / 2010 / Instituto Nacional do Seguro Social / Perito Médico - Previdenciário

(34) Um estudo clínico que acompanha, por um determinado tempo, um grupo de pessoas que fumam, para observar se elas irão desenvolver câncer de pulmão, é denominado de:
A) transversal.
B) randomizado.
C) coorte.
D) expectante.
E) experimental.
Fonte: FUNCAB / 2012 / Prefeitura de armação de Buzios / Enfermeiro

(35) Considere-se que para se verificar os efeitos da papaína na cicatrização de úlceras de decúbito, um grupo de 100 pacientes foi separado aleatoriamente, em duas metades, de modo a constituir dois grupos com características semelhantes. Considere-se também que os pacientes pertencentes a um grupo foram tratados com um preparado de papaína e os do outro grupo receberam um preparado de placebo e que, após um período, constatou-se que aqueles que receberam a papaína obtiveram melhores resultados. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo ensaio clínico randomizado.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(36) Considere-se que, com o objetivo de elaborar um perfil de características demográficas e socioeconômicas de pacientes que sofreram lesões medulares em uma cidade do interior de Goiás, foram entrevistados cerca de 80 pacientes internados em uma unidade de reabilitação, vítimas de acidentes de trânsito nos últimos 6 meses, e que os resultados foram apresentados na forma de gráficos e tabelas. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo coorte.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Aparentemente, sem maiores informações sobre o estudo, trata-se de uma série de casos. Não há grupo para comparação e nem acompanhamento dos pacientes. Letra E
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(37) Considere-se que em uma pesquisa foram formados dois grupos: um deles composto por pessoas que tiveram câncer de pele e o outro, por pessoas que não tiveram essa doença. Considere-se também que os doentes — aqueles com câncer de pele — foram investigados para saber se foram expostos a fatores de risco — como exposição excessiva, na juventude, à luz solar —, de modo a relacionar se tais fatores de risco são causas contribuintes da doença. Nesse caso, observa-se o delineamento de uma investigação do tipo caso-controle.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(38) A investigação do tipo coorte é a mais adequada para o estudo etiológico de doenças raras.
C) Certo 
E) Errado
Resposta: Para o estudo de doenças raras o estudo mais adequado é o estudo de caso-controle. Letra E
Fonte: CESPE / 2008 / Supremo Tribunal Federal / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(39) Para a avaliação do benefício terapêutico de um determinado cuidado, podem-se utilizar medidas relativas (divisão entre os riscos do grupo experimental e do grupo-controle) ou absolutas (baseadas nas diferenças entre os riscos do grupo experimental e do grupo-controle).
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE /2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(40) Uma das vantagens nos estudos de coorte é que a cronologia dos acontecimentos é facilmente determinada, pois primeiro ocorre a exposição para depois ocorrer o desfecho clínico.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(41) A eficácia de determinado tratamento é a evidência de que ele realmente funciona (traz mais benefícios que riscos) em determinadas condições experimentais, podendo ser observada com maior freqüência nos trabalhos do tipo ensaio clínico randomizado.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Território / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(42) Considere-se que uma equipe da área de enfermagem tenha realizado uma pesquisa junto aos empregados de uma empresa com o objetivo de verificar a associação entre o fumo e o câncer. Considere-se, ainda, que empregados da empresa tenham preeenchido um questionário acerca de seus hábitos de vida, no qual se perguntava se eram ou não fumantes, formando-se, então, dois grupos: um de indivíduos fumantes e outro de não-fumantes. Decorridos 10 anos, a equipe observou que o fumo estava diretamente relacionado ao desenvolvimento de câncer. Nessa situação, é correto afirmar que foi realizado um estudo do tipo coorte.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(43) Em estudos do tipo caso-controle, somente no momento da análise dos dados é possível identificar os grupos de interesse, por exemplo, os indivíduos expostos e os não-expostos a algum fator de risco.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem 

(44) Considere-se um estudo em que tenha se avaliado a incidência de infecção por dengue em um grupo de habitantes de uma área rural. Nesse caso, foi empregado o estudo do tipo analítico.
C) Certo 
E) Errado
Resposta; A princípio errado porque não foi especificado grupo de comparação 
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(45) Considere-se que, em um estudo do tipo ensaio clínico randomizado, tenha se obtido risco relativo igual a um. Nesse caso, é correto afirmar que os dois grupos estudados apresentaram incidência de casos totalmente diferentes.
C) Certo 
E) Errado
Fonte: CESPE / 2008 / Tribunal Superior do Trabalho / Analista Judiciário - Área Enfermagem

(46) Pesquisas que se utilizam de grupos de indivíduos como unidades de observação são denominadas estudos ecológicos.
C) Certo 
E) Errado 

(47) Os desenhos de estudos epidemiológicos podem ser agrupados em três categorias:
A)Transversal, Seccional e Longitudinal
B)Experimental, Quasi-experimental e Observacional
C)Ensaio clínico, Caso-controle e Ecológico
D) Experimental, Seccional e Observacional
Resposta: Há várias formas de classificar estudos epidemiológicos. Mas, a letra B exaure as possibilidades existentes e tem uma forma de classificação que segue a lógica de intervenção/não intervenção do pesquisador.
Fonte: http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/13070/11003/Exercicios_de_revisao2.ppt

(48) Assinale as características de um estudo de coorte:
A) Estudo observacional.Uma amostra da população forma o grupo controle.
B)Estudo experimental. Feito no momento. Não é bom para investigações para se conhecer a causa.
C) Estudo observacional. Conjunto de indivíduos sem a doença. São acompanhados para se comparar a ocorrência da doença em cada grupo.
D)Estudo experimental. Conjunto de indivíduos sem a doença. São acompanhados para se comparar a ocorrência da doença em cada grupo.

(49) O estudo abaixo pode ser classificado como:

Referência: Prevalência do complexo teníase-cisticercose na zona rural do município de Viçosa, Minas Gerais. Adriana Felix Iasbik, Paulo Sérgio de Arruda Pinto, Paula Dias Bevilacqua, Luis Augusto Nero, Tatiane de Oliveira Santos, Adriano Groppo Felippe; Ciência Rural, Santa Maria, v.40, n.7, p.1664-1667, jul, 2010

"(...) Para  determinar a prevalência de cisticercose em suínos e de teníase em 176 propriedades localizadas na zona rural de Viçosa, Minas Gerais (MG), foram coletadas amostras de sangue de 226 suínos e fezes de 266 humanos, além da realização de um inquérito epidemiológico. Não foi identificada teníase humana, e a prevalência da cisticercose suína foi de 0,4%. As informações obtidas mostraram que a maioria das pessoas possuía o hábito de consumir carne suína não inspecionada; entretanto, todas as pessoas se alimentavam da carne bem aquecida. Em apenas 1,1% das propriedades, o esgoto era depositado diretamente no solo e em 99,4% destas a água era canalizada, enquanto 88,1% dos suínos eram criados presos. Concluiu-se que, na zona rural do município de Viçosa-MG, a prevalência do complexo teníase-cisticercose foi baixa, mostrando ainda um nível de contaminação inferior ao de outros municípios onde o complexo foi estudado"
A) Seccional
B) Caso-controle
C) Coorte
D) Ensaio clínico
E) Ecológico
Baseado em: http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/13070/11003/Exercicios_de_revisao2.ppt

(50) Dados de um grande estudo sobre câncer na bexiga e tabagismo em Boston indicam que as taxas de câncer na bexiga em fumantes e não fumantes são, respectivamente, 48,0 casos por 100.000 homens e 25,4 casos por 100.000 homens.

(i) O risco relativo de desenvolver câncer na bexiga para homens fumantes comparado com homens não fumantes é
A) 48,0
B) 48,0 – 25,4 = 22,6
C) 48,0 / 25,4 = 1,89
D) (48,4 – 25,4) / 48,0
E) Não é possível calcular com os dados fornecidos
Resposta: O risco dos fumantes é 89% maior do que o dos não fumantes. Letra C. 
Fonte: A Study Guide to Epidemiology and Biostatistics Morton; Hebel; McCater Jones & Bartlett Learning, 2005 - 208 páginas

(ii) O risco atribuível de câncer na bexiga devido ao tabagismo em homens fumantes é
A) 48,0 / 25,4 = 1,89
B) 48,0 – 25,4 = 22,6 por 100.000
C) 48,0
D) 48,0 / 100.000 = 0,00048
E) Não é possível calcular com os dados fornecidos
Resposta: O risco dos fumantes é igual a um risco de base entre não fumantes igual a 25,4 adicionalmente a um risco de 22,6. O risco atribuível (adicional) é igual a 22,6 óbitos por 100.000 homens. Letra B.
Fonte: A Study Guide to Epidemiology and Biostatistics Morton; Hebel; McCater Jones & Bartlett Learning, 2005 - 208 páginas


(51) Um estudo calculou o percentual de pessoas com auto-avaliação de saúde considerada positiva e o utilizou como indicador de saúde referida, a fim de este indicador pudesse ser comparado com o de outras populações. Que tipo/delineamento de estudo é este?
Resposta: Estudo ecológico.

(52) Um pesquisador está estudando se o consumo the leite não pasteurizado é uma fonte significativa de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses. Seus achados demonstram que a fração atribuível populacional (FAP) é de 0,15 no Canadá. Como este valor é interpretado?
A) 15% dos canadenses que consomem leite não pasteurizado tinham E.coli O157:H7
B) O risco de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses que consomem leite não pasteurizado é 0,15 vezes o risco de infecção por E.coli O157:H7 para canadenses que não consomem leite não pasteurizado
C) 15% das infecções por E.coli O157:H7 no Canada são decorrentes do consumo de leite não pasteurizado
D) Para cada 100 canadenses que consomem leite não pasteurizado, 15 são infectados com E.coli O157:H7 devido ao consumo de leite não pasteurizado
E) Nenhuma das alternativas acima
Fonte: University of Guelph Department of Population Medicine /Midterm #2 Examination /POPM*3240/ November 1st, 2013

(53) Para exposição X e defescho Y, é determinado que o Risco Relativo é de 0,89 (IC 95% 0,78-1,03). Isto indica que a exposiçao e o defescho são associados ________ e que esta associação  __________
A) positivamente, tem significância estatística
B) positivamente, não tem significância estatística
C) negativamente, tem siginificância estatística
D) negativamente, não tem significância estatística
E) nenhuma das alternativas acima
Fonte: University of Guelph Department of Population Medicine /Midterm #2 Examination /POPM*3240/ November 1st, 2013

(54) Em um estudo epidemiológico transversal, o número de casos de uma doença existente em determinada população indica a medida de incidência dessa doença.
C) Certo 
E) Errado
Comentário: Estudo transversal não mede incidência.
Fonte: CESPE / 2015 / FUB / Médico - Àrea Trabalho /